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João Bitencourt*
SEM BANCADA NÃO HÁ SOLUÇÃO!
QUEM NÃO TEM BANCADA, NÃO TEM NADA!
O que pode acontecer com quem cria cobra no seu próprio quintal? Um dia ser picado por ela, é óbvio!
Pois bem! Foi assim que se deu o surgimento do PT e de Lula na política brasileira, depois da Anistia e que aconteceu, na década de oitenta, quando o regime militar premido pela volta ao país dos exilados políticos, resolveu fomentar, dar asas e ajudar na criação do PT, como novo filhote no espectro político nacional, após a abertura e o advento da Lei de Anistia.
Na esteira, ainda sob os auspícios do regime que tinha como seu ideólogo e mentor, Golbery do Couto e Silva, cuja alcunha era “o bruxo da ditadura”, assim chamado e que, usando a posição de Lula como “líder” sindical e presidente de Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo, organizando e liderando greves por salários, etc., houve por bem guindar seu então presidente, Lula, como a “nova” liderança política nacional.
Mas isso não foi à toa e tinha, como sempre, nas ações do bruxo, um propósito e um objetivo determinados, porque esse personagem “não dava ponto sem nó”, “não pregava prego sem estopa”?
No que mirava então o artífice do regime, com esse gesto e ação de alimentar e fomentar esses dois monstros: PT e Lula? Duas cabeças de uma mesma serpente, a qual, hoje, atormenta os militares com ações e atitudes contra seus mentores, criadores, pois além de sucatearem as FFAA, com seus desmanches propositais e calculados, dentre outras coisas que prejudicam os militares, vêm tentando mudar a Lei de Anistia, investigar ações de militares, com as chamadas Comissões da Verdade, para punir agentes de então, como se os embates tivessem um só lado e culpados pelos fatos e atos daquele período. Criou o mostro e este se virou contra, e hoje caça quem o gestou!
Vamos seguir a viagem, pelo tempo, lembrando que, com o advento da Lei de Anistia, em 1979, lei que aliviava os dois lados, nela veio a possibilidade de retorno de todos os brasileiros vivendo no exterior, exilados e, dentre eles, estava Leonel Brizola, uma das peças chave na luta contra o regime e que, vivo, nunca deixou de articular, mesmo fora do país, a sua volta e a reconstrução da agremiação que tinha com Jango, Getúlio, á época, o PTB, e muitos outros companheiros de lutas, no cenário político nacional, desde muito antes da ruptura institucional de 31 de março de 1964.
Isso representava o que para o regime?
Dias de insônia e desassossego no cenário da nova política brasileira que se construia, após a abertura, lenta e gradual, como diziam na imprensa, pois voltava à cena aquele que era, mesmo fora do país, um líder carismático e defensor das sociais e políticas e que seguramente vinha com sede e propósitos de voltar à cena como ator e não como coadjuvante, da qual, ao longo de sua existência, se alimentou e fez dela uma maneira de vida, sempre lutando pelo povo, sua educação e libertação do que chamava de imperialismo, o qual impunha ao nosso país, as perdas internacionais, sugando nossas riquezas e nos impondo a submissão.
Vinha pronto para retomar suas lutas e disso Golbery tinha a mais absoluta certeza e, sabia que precisa agir para evitar, ou ao menos controlar, a sanha daquele que tinham como inimigo e que, com sua verve, seguramente tomaria as rédeas da oposição consentida e, com a re-fundação do PTB, conduziria a massa trabalhista, enorme, já se organizando e ciosa de um líder, para guiá-la na redemocratização que se iniciava. Assim via Golbery!
Faltava mais um golpe nas aspirações de Brizola, aspiração que tinha certeza Golbery, que era a de reconstruir o velho Partido e, para isso, o bruxo, arquitetou outra de suas manobras, a de impossibilitar a retomada da sigla, inviabilizando seu registro, pelas mãos de Brizola, que já arquitetava pelas vias legais a sua legalização e funcionamento, dentro das normas da Lei Eleitoral vigente.
Foi ai que, num golpe de mestre, Golbery instou, fomentou e alimentou a neta de Getúlio, Ivete Vargas, uma insignificante atriz da cena política brasileira, a pleitear no TSE, a sigla, sob o estapafúrdio argumento de herdeira política do avô, por consangüinidade. Um escárnio, mas que colou, e a sigla já em gestação avançada nas mãos de Brizola, dele o TSE tomou o direito à Agremiação da qual fez parte e ajudou a consolidar no país, muito antes da neta ter nascido, obrigando-o a criar o PDT e voltar ao cenário político fazendo história, como sabemos.
Nocauteado Brizola, pensava Golbery, agora era hora de passar para o próximo passo e, com o PT e Lula, assumindo de vez a massa trabalhadora, o velho líder trabalhista ficaria à deriva, sem rumo e sem seus seguidores, para incomodar o regime, pois feito isso, sua criatura estaria sob controle, e ele, o criador, teria as rédeas e o comando das ações. Assim fizeram e assim foi durante anos, com a criatura já fora do ovo, eclodido que foi, sendo alimentada e cevada à base de roedores e outros animais que a nutriam, tudo sob os auspícios do regime, seu criador. Daí, a criatura, organizada como queria o criador, começaram nos pleitos municipais a eleger vereadores, depois prefeitos, em nível estadual os deputados, senadores, engordando e sendo engordada, criando seus tentáculos, como uma medusa, até chegar ao posto máximo da nação, mais de 25 anos depois da sua criação, urdida no seio e pelo regime, que foi.
Serpente bonita, vistosa, gorda, mas ágil e peçonhenta como são todas, viu que podia mais e tratou de se preparar para o bote final, bem nutrida e organizada com vários ninhos pelo país, para assim, deixar o quintal do criador e voar solo, mesmo que sem asas, para um plano mais alto, e tudo sem que o criador se desse conta, foi sorrateiramente preparando o bote.
A cobra que já taluda e criada, agora no Poder central, forte e soberana, começava seu caminho para a vingança final e atacar de vez aqueles que, segundo sua ótica, foram seus algozes nos anos de “chumbo”, em que se colocam hoje, como vítimas, se esquecendo que, numa guerra tem vencidos e vencedores e que, nela, os dois lados cometem excessos e desatinos, em prol daquilo que acreditam, e defendiam, cada um à sua moda e maneira, mas ambos com erros e acertos. Só que isso, hoje, não passa pela cabeça dos vencidos e que estão no Poder, mas simplesmente, a sanha da vingança, buscada a todo custo, pelas “Comissões da Vingança”, instaladas pelo país, nas quais, só um lado é investigado e precisa ser punido, como soe acontecer, mesmo que retrocedamos no tempo e no espaço, a qualquer custo e sacrifícios como assistimos acontecer, hoje, sem qualquer reação ou esboço dela, pela nação entorpecida e leniente, com o que pode ser o início do FIM.
Pois bem! Como digo a afirmo nesse texto, quem criou o mostro foi o próprio regime militar, no Poder então, para “neutralizar” aquele que julgavam ser o inimigo a vencer, Brizola, e não se deu conta de que estava criando cobra no seu quintal, cobra essa que, mais de vinte anos depois, crescida e bem nutrida, se volta contra seu criador e passou a picá-lo, sem dó e nem piedade, querendo, com seus atos de hoje, destruir de vez quem lhe deu à luz.
Assim, os militares, por Golbery, ajudaram na criação e construção desses monstros que os assombram e manobram para destruir Instituições seculares e que têm o respeito do povo brasileiro, urdindo o fim das Forças Armadas, usando de todos os meios e falsidades para alcançar esse objetivo.
Só não vê quem não quer!
Quem pariu Mateus que o embale!
Lembrem!
SEM BANCADA NÃO HÁ SOLUÇÃO!
QUEM NÃO TEM BANCADA, NÃO TEM NADA!
Pensem nisso!
*Advogado criminalista e Ex-Sargento da FAB
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