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Dilma determina que plano de segurança para Copa será integrado
O plano está definido e vai à Dilma em duas semanas
A presidente Dilma Rousseff determinou que todo o programa de segurança da Copa do Mundo seja orientado pelo critério da integração entre os protagonistas – as forças federais, policias estaduais, a justiça e o Palácio do Planalto. A tropa estará pronta para ação em regime de resposta rápida: o tempo, nessa condição, é contado em poucos minutos. Mas só atuará se o governador do estado onde possa haver um pico de crise solicite a intervenção. Dilma quer evitar o choque entre a cadeia de comando. Há uma semana e ao longo de mais 15 dias, um grupo do governo vai percorrer as quinze cidades que compõe o mapa do torneio.
Na semana passada entraram na lista Vitória (ES), Aracaju (SE) e Maceió (AL), capitais nas quais não haverá jogos, mas que receberão as delegações de quatro países – Austrália, Camarões, Grécia e Gana. O esquema nos estados que abrigam sedes da Copa será estendido até municípios escolhidos para a hospedagem de seleções. Isso vai acontecer, por exemplo, em Campinas, onde ficarão Portugal e Nigéria. Há três dias, agentes da Abin, da Polícia Federal, da Secretaria de Segurança Pública e da Defesa visitaram os hotéis, estádios, hospitais e centros de treinamento que serão utilizados.
A base de referência do plano é a experiência com a conferência Rio+20 da ONU e a Copa das Confederações, “com a integração entre Defesa e Segurança expandida”, segundo o general José Carlos De Nardi, Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. O comando da operação, em cada unidade regional, ficará por conta de uma espécie de triunvirato formado por um oficial general – do Exército, na maioria dos casos, mas também da Aeronáutica, como em Curitiba, e da Marinha, em Belém e Salvador – um delegado da Policia Federal e um outro, da Secretaria de Segurança Pública local a quem caberá a tarefa de deflagrar o dispositivo de uma eventual intervenção. Esse time permanecerá reunido nos centros de comando e assistirá aos jogos pela TV ou talvez nem isso: a cena dominante nos monitores dos terminais de vigilância estará fora do estádio.
O plano está definido e vai à Dilma em duas semanas. O custo, estimado em R$ 1,8 bilhão, e o tamanho do contingente mobilizado são, até agora, apenas especulativos. Todavia, é possível fazer algumas projeções. O efetivo para a segurança na Copa das Confederações foi de cerca de 23,7 mil militares. O Mundial é disputado em 12 cidades e vai atrair duas vezes mais público – além de chefes de estado; sete já confirmados. A tarefa de conduzir os comboios visitantes vai cair na conta das Forças Armadas por meio principalmente, dos motociclistas batedores. Não é só. Nos aeroportos, sem serem vistos, estarão atiradores de precisão, os snipers, da infantaria da Aeronáutica, homens treinados para atingir alvos pequenos até 400 metros de distância. Esquadrões de Forças Especiais do Exército seguirão a bordo de helicópteros, prontos para operar um resgate armado.
Aviões sem piloto, os drones, sobrevoarão os locais dos grandes eventos da mesma forma como fizeram ao longo da Jornada Mundial da Juventude, realizada em julho de 2012 com a presença do papa Francisco. Olhos eletrônicos podem vigiar, dia e noite, o movimento de pessoas e veículos, mesmo entre a folhagem ou abrigos. Em terra, a tecnologia vai permitir o emprego de 27 robôs. Segundo a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, cada unidade sairá por pouco mais de US$ 260 mil. Cada praça receberá duas máquinas preparadas para detecção e desmonte de bombas. Em agosto foi anunciada a compra de câmeras digitais de identificação, com recursos para escanear a face de 400 pessoas por segundo.
Gastos
O Brasil vai gastar quatro vezes mais com segurança na Copa do que a África do Sul destinou ao Mundial há quatro anos. Dados oficiais apontam que os sul-africanos investiram cerca de R$ 400 milhões para garantir a segurança do evento.
Na época, a Fifa já havia alertado que esse quesito seria fundamental para delegações e torcedores, em um país conhecido por sua alta taxa de criminalidade. Mas não era apenas a questão da violência urbana que preocupava a Fifa. Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, a entidade passou a avaliar que a Copa também poderia ser usada como um palco para ataques terroristas. De fato, meses depois dos atentados à torres gêmeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington, a empresa que garantia o seguro da Copa de 2002 no Japão anunciou que estava rompendo o contrato.
Desde então, a Fifa passou a exigir compromisso total dos governos com a questão. Um dos maiores testes ocorreu em 2006, na Alemanha, em uma região que poderia ser colocada como potencial alvo de ataques. O gasto do país com a segurança da Copa jamais foi publicado. Mas o governo admitiu que colocou nas ruas naquele mês o maior dispositivo de segurança que o país havia visto desde o final da Segunda Guerra Mundial. Foram 250 mil policiais, 7 mil soldados e 20 mil homens de empresas privadas.
(colaborou Jamil Chade, de Genebra)
ESTADÃO/montedo.com
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