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Europa-OTAN: “exércitos militares” sem guerras reais
Oleg Severguin
otan, união europeia, exército, forças armadas
© EPA
Não se sabe, se foi por acaso ou não, mas na véspera da cúpula da Associação Oriental, a ser realizada no fim de novembro em Vilnius, a União Europeia e a OTAN intensificaram a sua atividade militar. Em Budapeste, no encontro dos chefes de governo dos países do chamado Grupo de Visegrad, isto é, a Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia, foi confirmada a intenção de criar uma unidade militar conjunta que seria integrada nas Forças Armadas da União Europeia. Além disso, o portal de internet EUobserver lembrou que em novembro os países-membros da OTAN irão promover manobras militares Steadfast Jazz 2013 nos territórios da Polônia e dos países bálticos.
O portal EUobserver afirma que nos últimos anos tiveram um segundo fôlego as relações entre a OTAN e a Ucrânia, a vizinha mais próxima da Rússia. Uma tropa ucraniana de 100 homens também vai participar das futuras manobras em que será treinada a simulação de rechaço da “agressão” por parte de um certo “Estado vizinho”. Falando a propósito, a Alemanha será representada por apenas 75 militares. O referido portal de Internet especifica também que militares ucranianos fazem parte das missões militares da OTAN no Afeganistão e em Kosovo, no mar Mediterrâneo e no oceano Índico.
No comentário deste portal as menções da OTAN e da União Europeia vêm intercaladas permanentemente. Quanto ao componente militar das relações destas organizações europeias, neste plano é bastante difícil de separar uma das outras. Em primeiro lugar, hoje 22 do total de 28 países da União Europeia são membros da OTAN. E, em segundo lugar, depois da adoção pela aliança da estratégia da chamada “defesa inteligente”, que visa, em particular, o dispêndio mais econômico de recursos, o quartel-general deste bloco passou uma parte das funções puramente militares aos seus parceiros no quadro da Europa Unida.
A partir deste ponto de vista, a ideia de criação de um certo “mini-exército” do Grupo de Visegrad, tem um aspecto pelo menos incomum, ou para ser mais exato, quase irreal. Os peritos constatam que os membros deste quarteto têm diversos “pesos” e orientam-se por diversas atitudes para com os problemas de integração europeia e relações com a OTAN. Aliás, o tema de “grupos de combate de reação rápida” é debatido na União Europeia já há vários anos, mas quem exerce missões militares reais nos pontos quentes do planeta é a OTAN. Por enquanto, os membros do Grupo de Visegrad preparam-se para um jogo de aliança esquisito. O redator-chefe do jornal Nezavisimoe voennoe obozrenie (Resenha militar independente) Viktor Litovkin admite que as manobras sejam realizadas no quadro de um plano, mas manifesta perplexidade por motivo do seu roteiro.
“O roteiro das manobras, que devem ser realizadas na Polônia, prevê o rechaço da agressão por parte de um Estado vizinho, que de acordo com o artigo V do Tratado – defesa do aliado – tinha sofrido a invasão. Esta forma de colocação da questão é provocadora. E, pelo contrário, quando lutamos em conjunto contra o terrorismo, nisso não há nada de provocador.”
A doutora Margarete Klein, do Fundo Alemão da Ciência e Política, ressaltou na palestra com a Voz da Rússia a importância da confiança mútua entre o Ocidente e a Rússia.
“A falta de confiança mútua é o principal mal nas relações. Outrora, a Rússia veio com a proposta de firmar o tratado de segurança europeia mas o Ocidente não tomou esta ideia a sério. Todavia, o diálogo continua a ser uma necessidade premente, pois enquanto não for alcançado o consenso a respeito de problemas cardinais, a parceria continuará instável.”
De um modo geral, na criação de certos “mini-exércitos europeus” não há nada de ameaçador para outros – desde que isso não seja acompanhado, é claro, por jogos de guerra reais contra um “vizinho agressivo”.
rádio VOZ DA RÚSSIA/montedo.com
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