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Comissão da Verdade abre diálogo com militares
Reunião com os comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica foi sigilosa
EVANDRO ÉBOLI
Antonio Gramsci, teórico marxista
BRASÍLIA – Sete meses depois da instalação da Comissão Nacional da Verdade, integrantes do grupo se reuniram pela primeira vez com os três comandantes militares. Foi no início de dezembro, a sete chaves e sob sigilo rigoroso. A reunião, um almoço no Ministério da Defesa, foi costurada pelo ministro Celso Amorim. Um diálogo difícil para os militares, que, na cerimônia de maio no Palácio do Planalto, quando da criação da comissão, recusaram-se a aplaudir o evento.
O Ministério da Defesa confirmou o encontro, mas os comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica não se pronunciaram. Pela Comissão da Verdade compareceram o coordenador Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro dos Direitos Humanos; e Rosa Cardoso da Cunha, ex-advogada de presos políticos, entre eles a presidente Dilma Rousseff.
Foi um encontro e uma conversa sem sobressaltos, mas marcado pela firmeza dos dois lados. A Comissão da Verdade cobrou documentos dos arquivos oficiais. Os militares, por sua vez, sugeriram que os pedidos do grupo que investiga crimes da ditadura sejam mais específicos, menos genéricos.
— Não foi um encontro formal, mas foi um diálogo franco e tudo posto com muita tranquilidade. Com equilíbrio. Mas colocamos com muita clareza que uma experiência ditatorial não pode se repetir no país — disse Cláudio Fonteles.
Do lado da Defesa, além dos três comandantes militares — Enzo Peri (Exército), Juniti Saito (Aeronáutica) e Júlio de Moura Neto (Marinha) — e de Amorim, compareceu também o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi. Os militares afirmaram que há boa vontade em localizar documentos e o propósito é de colaboração. Segundo eles, não há restrições ao trabalho da comissão e nem resistência a convocações de oficiais do passado para prestarem depoimento ao grupo.
Para amenizar a conversa, os membros da comissão lembravam que os militares de hoje não são os mesmos da ditadura. Um tema que incomoda os militares não foi tocado: a apuração de crimes cometidos por militantes da esquerda. Essa é a principal cobrança de integrantes da reserva que se manifestam, e se incomodam, com a comissão.
Fonteles avaliou como positivo o primeiro ano de trabalho do grupo, que tem até maio de 2014 para apresentar seu relatório. Ele cita três exemplos de resultado efetivo do trabalho com a participação da comissão: a devolução simbólica de mandatos de deputados cassados; o surgimento de documentos sobre o desaparecimento de Rubens Paiva; e a mudança no atestado de óbito de Vladimir Herzog, que passou a constar como causa da morte “lesões e maus-tratos sofridos durante interrogatório em dependência do II Exército (DOI-CODI)”.
O GLOBO/montedo.com
Comento:
Do texto da notícia pode se tirar algumas conclusões, a saber:
– Cláudio Fonteles é um fanfarrão. Qual experiência ditatorial teria condições de se repetir no País nos dias de hoje? Faça-me o favor! Talvez o sonho de consumo dos petralhas,  um regime à moda Chávez, que impôs à Venezuela uma proto-ditadura mascarada de democracia. Esse tipo de sistema, certamente, não roubaria o sono ao esquerdista Fonteles.
– Os documentos encontrados, que confirmam a entrada do deputado Ruben Paiva no DOI-CODI do RJ nada tem a ver com o trabalho da Comissão e sim, foram uma decorrência das investigações sobre o assassinato do Coronel Molina Dias, ocorrido no Dia de Finados do ano passado, em Porto Alegre. O peremptório Tarso Genro, aliás, não deixou passar a oportunidade e transformou o achado num espetáculo midiático.
– Os comandantes militares apenas deixaram entrever com mais clareza o que já se sabia: qualquer militar ‘das antigas’, que cair na malha da comissão – culpado ou não – estará entregue à própria sorte. Pouco importa se a Lei da Anistia – e o STF já atestou isso mais de uma vez – é válida para ambos os lados. Os altos coturnos não moverão uma palha para fazer valer esse entendimento, muito menos para interceder em favor dos ‘bois de piranha de pijama’ entregues a conta-gotas à sanha revanchista.
– Imaginem se Enzo, Saito ou Moura Neto, por um instante que fosse, ousariam lembrar aos membros da comissão que ela foi criada para investigar atos praticados por agentes públicos e membros da luta armada desde 1946! incluídos aí, sem ressalvas, todos os atos de terrorismo praticados no período, o que foi solenemente ignorado – como já se previa – na primeira reunião.
Pelo visto, se depender dos milicos, a nefanda comissão da (in)verdade continuará nadando de braçada em meio ao lamaçal ideológico que trata de reescrever a história. 
Ave, Gramsci, os esquerdófilos te saúdam!

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