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Apesar da demora para escolha do caça, São Bernardo mantém expectativa de investimentos
Aline Bosio
A francesa Dassault Aviation, com o modelo Rafale, é uma das concorrentes / Foto: Divulgação
Apesar do ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, ter afirmado que a desaceleração econômica contribuirá para o atraso da decisão do governo quanto à escolha dos caças, as propostas inicialmente apresentadas não deverão sofrer alterações. Na região, São Bernardo é o município com maior interesse na decisão, uma vez que investe em parcerias com as envolvidas no processo.
As três empresas que disputam o mercado brasileiro são a sueca Saab (com o modelo Gripen NG), a norte-americana Boeing (com o F/A-18 Super Hornet) e a francesa Dassault Aviation (com o Rafale). “O projeto não está sendo abandonado. Haverá uma decisão no tempo certo. Mas, hoje, eu prefiro não dar uma data. A situação econômica está menos favorável do que o esperado e naturalmente exige cuidado”, afirmou nesta semana o ministro.
Assim como ocorreu desde o início das negociações, o governo brasileiro enviou uma carta a essas empresas no último mês solicitando que suas propostas fossem mantidas por um período de mais seis meses.
Procuradas, Boeing e Dassault não se manifestaram de forma oficial, mas de acordo com suas assessorias de imprensa o provável é que, assim como das outras vezes, elas aguardem a decisão do governo brasileiro. Já o diretor da campanha do Gripen NG no Brasil, Andrew Wilknson, afirmou que, por enquanto, nada irá mudar. “A proposta foi revalidada pelos próximos seis meses e, até finalizar este prazo, nada será modificado”, diz.
Investimento no ABC
São Bernardo é o município do ABC com maior interesse que as tratativas sejam concluídas. Para garantir investimentos na cidade, independentemente da escolha do governo federal, a Administração estreitou laços com as três empresas.
A principal delas é a Saab, que instalou na cidade em maio do ano passado o Cisb (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro), que atua nas áreas de defesa, aeronáutica e inovação urbana. O objetivo é fomentar acordos de cooperação em ciência, inovação e alta tecnologia e facilitar a obtenção de recursos junto a bancos e financiadores. O investimento no Centro está estimado em cerca de R$ 50 milhões nos cinco primeiros anos.
A Administração também procurou a Boeing, que distribuiu questionários para indústrias da cidade para avaliar capacidade, tecnologia, serviços e produtos aplicáveis à indústria aeronáutica.
O Consórcio Rafale, da Dassault, participou em maio desde ano do seminário ‘As Oportunidades do Consórcio Rafale para São Bernardo, ABC e Brasil’, onde reuniu 120 empresários e acadêmicos para debater as perspectivas para a indústria na região. A partir dos diálogos firmados durante o seminário foram assinadas sete cartas de intenção entre empresas francesas e instituições de São Bernardo. Entre elas, uma carta de intenção do Consórcio Rafale com a Prefeitura de São Bernardo e um acordo de cooperação entre a empresa e as universidades da região.
REPÓRTER DIÁRIO/montedo.com
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