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Duelo com Exército vira denúncia contra inspetores
De um lado, um inspetor saca a pistola automática do coldre, pronto para qualquer reação. A acusação contra si era a de que, pouco antes, teria arrancado uma granada do suspensório de um soldado do Exército. À frente do policial, um segundo soldado engatilha o fuzil 762, solidário ao colega militar que havia perdido o artefato. Segundo os relatos, o fuzil foi apontado para o chão, mas estava igualmente pronto para disparar. Outros no local gritam para que o pior não aconteça. A tensão era maior porque aquilo se passava dentro de uma delegacia, em plena paralisação dos policiais civis cearenses, no início deste ano. O soldado e o inspetor recuaram após os pedidos de quem estava próximo. Ninguém se feriu. 
O episódio, uma das histórias que só agora se torna pública, vinda daquele janeiro de greves nas Polícias do Ceará, é a base da denúncia que o Ministério Público Militar (MPM) em Fortaleza apresentou contra três policiais participantes do movimento da categoria. O quase-confronto armado se deu no dia 9 de janeiro, às três da tarde, na entrada da delegacia do Otávio Bonfim (3º Distrito Policial), na avenida Bezerra de Menezes. Os homens do Exército estavam no local integrando a Operação Ceará, ordenada pela presidente Dilma Rousseff. O governador Cid Gomes pedira o reforço para proteger e atuar na rotina da delegacia. O Ceará estava recém-saído de outra greve mais traumática, a dos policiais militares e bombeiros, que se estendera de 29 de dezembro até 4 de janeiro. O medo na cidade ainda era evidente. 

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População viu tudo
No dia do “duelo” no 3º DP, havia populares a metros da situação. Tentavam registrar seus boletins de ocorrência quando testemunharam a cena entre o soldado e o inspetor. O POVO apurou que, na denúncia, cerca de 15 grevistas teriam chegado ao 3º DP naquela tarde. Na porta, teriam sido instruídos pelos soldados sentinelas do Exército para que não entrassem até a autorização da delegada titular Lindalva Lima. Reagiram com gritos, não esperaram e a confusão teria começado. O promotor militar Alexandre Saraiva acusa os inspetores Francisco Vicente Moreira Silva, Nelyjon Garcia Feijó e Valmigleison Barros Pinto de desobediência à autoridade militar (artigo 301 do Código Penal Militar), por entrarem na delegacia sem autorização naquele momento. Valmigleison foi o policial que empunhou a pistola Ponto 40 e acusado de tomar a granada de gás lacrimogêneo do soldado. Contra ele, especificamente, o promotor ampliou a denúncia pelos crimes de desacato a militar (art. 299), desobediência também por não devolver a granada (também no art.301) e ameaça (art.223), ao apontar a arma ao soldado. 
O promotor Alexandre Saraiva não quis falar sobre a denúncia. O documento do MPM foi formalizado e já entregue à 10ª Circunscrição Judiciária Militar para possível abertura de processo. Aguardará que a auditoria militar Maria do Socorro Leal acate ou rejeite a denúncia. 
Entenda a notícia 
O Código Penal Militar prevê penas de até seis meses para os crimes de desobediência (artigo 301) e ameaça (artigo 223) e de seis meses a dois anos por desacato. A denúncia seguiu o que está no Inquérito Policial Militar nº 00000030-19.2012.710.00210
O Povo/montedo.com
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