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O canivete na bolsa de couro, que passou
pelo aparelho de raios-X
 

TESTE DA SEGURANÇA

Uma arma branca passou no início da tarde de hoje pelo sistema de raios-X e detectores de metais da segurança da Rio+20, no Riocentro, por onde vão transitar milhares de pessoas e os 130 chefes de Estado qie participarão da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. O teste feito pelo blog revelou falhas na segurança do Riocentro, que desde a semana passada é considerado território sob controle da Organização das Nações Unidas. A segurança do evento é feita em parceria entre o Departamento de Segurança da ONU e o Comando Militar do Leste, que coordena as outras forças de segurança, por determinação do Ministério da Defesa. 
O canivete — com 10,5 cm de cabo e 8,5 cm de lâmina — estava acondicionado numa embalagem de plástico transparente dentro de uma bolsa de couro que passou incólume por dois pontos de controle, na área de credencimento do evento. No primeiro ponto foi submetida ao equipamento de raios-X e no outro foi aberta a pedido de um agente de segurança e rapidamente revistada. Ele não notou a presença da arma. No acesso ao Riocentro há uma placa onde se lê “Área de Segurança Nacional”, com os logotipos da ONU e do Exército brasileiro.

Ontem os acessos do Riocentro eram patrulhados por soldados da 4ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército. Dentro do centro de convenções, havia vários pontos de revista e era frenética a movimentação de agentes e oficiais do Departamento de Segurança das Nações Unidas. Estes vestem uniforme azul claro com emblemas da ONU, portam pistolas no coldre, mas não usam armas não-letais. Um deles foi abordado pelo repórter que tentou falar com a coordenação da segurança, mas não obteve êxito. O agente anotou os contatos do jornalista, prometendo que seria procurado, o que não aconteceu até agora à tarde. No primeiro ponto da revista, antes de obter a credencial da Rio+ 20, o jornalista foi submetido à rigorosa revista e a detetor de metais, de frente e de costas. A bolsa com a arma branca foi colocada na esteira do aparelho de raios-X, assim como um iPad, um smartphone, chaves e caneta. Nada de anormal foi detectado. Já com a credencial, em outro ponto, o jornalista foi novamente revistado com o uso de detector de metais e atendeu ao pedido do agente para mostrar o que havia na bolsa. A arma passou novamente.

Na embalagem do canivete está escrito: “Cuidado: isto não é um brinquedo; mantenha longe das crianças.”
Principal palco da Rio+20, o Riocentro está bastante policiado. Há militares do Exército, agentes de segurança de terno e gravata, agentes uniformizados do Departamento de Segurança da ONU e policiais federais. O planejamento da segurança foi feito em conjunto pela ONU e pelo Exército brasileiro.


O coronel Saulo Chaves dos Santos, chefe da Seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste (CML), alegou que os equipamentos de segurança para acesso às dependências do Riocentro, que receberá autoridades e chefes de Estado durante a Rio+20, ainda não estavam operando em seu nível máximo de restrição quando um repórter do GLOBO conseguiu entrar no local, nesta segunda-feira, carregando um canivete dentro de bolsa de couro. Tratava-se de um teste, feito pelo blog de Ancelmo Gois. 
De acordo com o coronel, na segunda-feira havia um canteiro de obras em atividade para os retoques finais do evento e, portanto, o nível de segurança foi relaxado devido ao trânsito de operários portando seus equipamentos de trabalho, como chaves de fenda, martelos, pregos, entre outros objetos. Os aparelhos de raios-X e de detecção de metal, afirmou o coronel, ainda não estavam “totalmente calibrados”.
— Se o repórter tivesse perguntado a alguém sobre o assunto, ele saberia disso. Se for lá hoje, quando o nível de segurança será total, duvido que consiga entrar com uma arma branca. Ontem, o sistema ainda estava sendo testado. Mas hoje, talvez até o fim do dia, ele estará adaptado para o grande evento — disse o militar.
Ancelmo Gois (O Globo)/montedo.com
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