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*RONALDO SÉRGIO DA SILVA

Até o governo de Fernando Henrique Cardoso podiamos dizer que os militares das Forças Armadas funcionavam como o corpo humano. Eram tidos como um corpo sólido.
Esta comparação com o corpo humano é porque, embora constituído por diversas partes inter-relacionadas, umas dependem das outras.
Esta dependência não mudou. Os graduados e subalternos continuam a sua função de espinha dorsal do sistema. E nem poderia ser diferente.
Os graduados e subalternos antes entendiam os seus comandantes e toda a tropa, como um sistema em que cada órgão era responsável por uma ou mais atividades. O que acontecia na cúpula ia se ramificando, nas devidas proporções, para todas as categorias. Havia uma hieraquia e um escalonamento tanto nas funções como nos salários.
Não haviam milhares de reações, pois os comandantes cuidavam para que os seus comandados fossem protegidos de tudo e de todos, nos diversos níveis.
Os militares da Aeronáutica tinham no seu íntimo que “com os pilotos e asas seriam um conjunto de todo eficaz…”. Quer na terra ou nos ares da lida não fugiam como não fogem, aos perigos os mandam enfrentar.
Os do Exército Brasileiro viam, como ainda veem, que “no seu valor se encerra toda a esperança que um povo alcança”.
E os militares da Marinha Brasileira cantavam, e ainda cantam, sua alegria quando sempre voltam ao seu torrão, a nossa Pátria do coração, ao ter cumprido sua missão.
Mas, numa ação coordenada e ordenada a tropa ficou “acéfala” depois do governo do famoso sociólogo Fernando Henrique. Com isso, milhares de reações passaram a acontecer a todo instante, dentro das Forças Armadas, seja para captar energia para a manutenção da vida, mobilizar voluntários para atender a todos os rincões deste nosso imenso país, recuperar sua alto estima ou se manter nas condições mínimas adequadas à sua sobrevivência e de seus familiares.
Não é para menos, pois os oficiais, que poderiam manter a tropa unida e amparada, deixaram-se levar por maiores salários e diferenciados, ou seja, não mais escalonados.
Esta nítida separação dos oficiais generais causa um achatamento das condições sociais, e provoca o isolamento em que se encontra a “tropa”.
Não é via de regra, mas os militares das Forças Armadas não têm aumento há mais de onze anos e a maioria se envolve com empréstimos consignados.
Espero que os “comandantes” retomem o sentimento de que a “tropa” continua como as partes do corpo humano, funcionando de maneira integrada e em harmonia.
É fundamental que a Presidenta, o Ministro da Defesa e os Comandantes entendam que se uma parte do corpo não está bem, não existe bom funcionamento do sistema, e o não cuidado pode causar degeneração do todo.
*Doutor em Desenvolvimento Regional – UNISC/RS; Mestre em Economia – UNAMA/PA; Pós-Graduado em Gerente de Cidade – FAAP/SP; Pós-Graduado em Gerência de Empresas – UNIPAC/MG; Graduado em Telecomunicações – Universidade Estácio de Sá/RJ. Militar da Reserva do Comando da Aeronáutica.
barbacenaonline/montedo.com
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