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Um em cada cinco militares tem menos testosterona que o normal
Pesquisa feita no Brasil revela que o nível de hormônio em homens acima de 70 anos é metade do encontrado em um jovem com menos de 40; dieta influencia na produção natural

DUILO VICTOR
A Escola de Saúde do Exército, no Rio, recrutou 1.623 militares masculinos com idades que variaram entre 24 e 87 anos. Todos cederam uma amostra de sangue, e a conclusão foi que em 20% desses homens há menos testosterona que o normal. Não se trata de um perigo para a segurança nacional, mas de um alerta para a saúde masculina, sobretudo a partir dos 40 anos, quando a tendência é de queda no nível do hormônio em 1% ao ano. O estudo da Sociedade Brasileira de Urologia chama o fenômeno de andropausa e associa a diminuição da testosterona a perda de libido, cansaço, irritabilidade, falhas de memória, sonolência e disfunção erétil.
— O número de militares com testosterona abaixo do normal está dentro da média encontrada em estudos semelhantes em outros países, mas me surpreendeu por ser um segmento da população que, geralmente, faz exercícios físicos — diz o diretor da Sociedade Brasileira de Urologia e chefe da pesquisa, Archimedes Nardozza Júnior.
De acordo com Archimedes, ter uma taxa de testosterona abaixo do normal — menos de 300 nanogramas por 10 litros de sangue — não significa, necessariamente, que o homem vai apresentar os sintomas descritos. Outros efeitos, por sinal, são a mudança nos pelos pubianos e da barba e o ressecamento da pele. Certo mesmo é que, a partir dos 45 anos, é recomendável fazer exames periódicos do nível de testosterona, segundo prescrever o médico. A análise dos militares brasileiros trouxe também o seguinte dado: as amostras de homens acima de 70 anos tinham, em média, 50% menos testosterona que nos voluntários com menos de 40 anos. É uma redução que ganha mais valor para o estudo da saúde masculina, segundo a pesquisa, pois a expectativa é que, nas próximas décadas, o Brasil passe por um envelhecimento da população. Dados presentes no estudo informam que há 9 milhões de homens acima dos 60 anos no Brasil, ou a 9% da população. Em 2020, a estimativa é de 30 milhões dos homens com mais de 60.
Um bom meio de retardar a queda acentuada no hormônio da masculinidade é, explica o urologista, consumir menos açúcar, gorduras e colesterol e, em contrapartida, aumentar a ingestão de proteínas, a matéria-prima dos hormônios produzidos pelo corpo. A prática de exercícios regulares é outra recomendação. Para os casos em que o homem já se encontra na fase de redução natural da testosterona, mas a queda está maior que o normal, a prescrição de reposição hormonal.
— Havia, nos anos 90, um mito de que a aplicação de testosterona aumentava a probabilidade de câncer de próstata, o que foi superado por estudos mais recentes. A aplicação de testosterona, no entanto, não deve ser feita por conta própria, por jovens, que usam o hormônio como anabolizante. Neste caso, o uso de testosterona leva à redução da produção do hormônio pelo próprio corpo, o que chamamos de efeito rebote — esclarece o especialista.
O Globo/montedo.com

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