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Da ponte Rio-Niterói, sai o general e entra o irmão do Henfil
Deputados apresentam projeto para mudar o nome da ligação entre as duas cidades
Um grupo de 11 deputados apresentou projeto de lei no qual propõem mudança do nome oficial da ponte Rio-Niterói, de Presidente Costa e Silva para Herbert de Souza – Betinho. Segundo Chico Alencar (PSOL-RJ), que assina a justificação, a proposta acolhe argumento de vários movimentos sociais: “Homenagear a ditadura é torturar a memória; homenagear Betinho é fazer justiça”. O general Arthur da Costa e Silva foi presidente do Brasil de 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969. O sociólogo Betinho (1935-1997) foi exilado político, imortalizado na música “O Bêbado e a Equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc), cantada por Elis Regina – no trecho que fala do país que “sonha com a volta do irmão do Henfil”.
Alencar lembra que o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) coíbe a prática de homenagear, com nomes de logradouros, pessoas que “notadamente cometeram crimes e perpetrado violações dos direitos humanos” durante a ditadura (1964-1985). “Nesse sentido, torna-se inaceitável que a popularmente chamada Ponte Rio-Niterói seja oficialmente denominada ponte Presidente Costa e Silva, em homenagem a um chefe de Estado que foi um dos artífices do golpe militar, responsável por momentos dos mais sombrios da história brasileira”, diz o parlamentar, citando o período iniciado com o Ato Institucional 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968.
Ele cita o também sociólogo Cândido Grzybowski, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), criado por Betinho em 1981. Para ele, considerando o contexto da Comissão da Verdade, a mudança de nome ajudará a “passar a limpo muitos aspectos da nossa história recente, sem revanchismos, mas com senso de justiça e de verdade com nós mesmos, nossos filhos e netos”. E lembra de Betinho com uma ideia de ponte: “Era um apaixonado pela causa de gente simples, pelo elo entre pessoas e grupos”.
Na argumentação, os parlamentares lembram que a Lei 6.682, de 1979, estabelece que qualquer via pública “poderá ter, supletivamente, a designação de um fato histórico ou de nome de pessoa falecida que haja prestado relevantes serviços à Nação ou à Humanidade”. A ponte foi inaugurada em 1974.
Apresentado no último dia 7, o projeto ganhou o número 3.388.
Rede Brasil Atual/montedo.com

Comento:
A onda revisionista/stalinista segue seu curso. Depois da tentativa (fracassada) de tentar mudar o nome da avenida Castelo Branco, em Porto Alegre, o PSOL agora tenta tirar o nome do ex-presidente Costa e Silva da ponte Rio-Niterói, uma obra de engenharia extraordinária para seu tempo e, queiram ou não, símbolo do sucesso do regime militar.
Essa gente insiste em olhar para a história com os olhos do presente, sem ater-se as circunstâncias da época em que os fatos aconteceram. Mas essa visão é altamente seletiva, uma vez que o objetivo não é resgatar, mas sim reescrever o processo histórico, sob a ótica marxista/leninista. O Rio de Janeiro, por exemplo, possui uma praça chamada Carlos Lamarca, assassino frio e covarde do tenente Alberto Mendes Júnior. Quem ousasse propor a mudança da denominação seria execrado em praça pública por esta mesma turma que pretende tirar o nome de Costa e Silva da ponte.
Esse tipo de proposta faz parte de um processo metódico, muito mais amplo do que parece a princípio e caminha lado a lado com a decisão de retirar os crucifixos dos tribunais – atenção: sou espírita e vejo o crucifixo como um símbolo cultural, mais do que religioso. Ele não pode ser obrigatório, mas tampouco proibido – a revisão dos livros de Monteiro Lobato, escritos há mais de 70 anos, por suposto cunho racista e por aí vai.
Tempos difíceis estes do Brasil de hoje, de manipulação descarada e imbecilização coletiva.
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