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Jovem procurou a polícia para dizer que foi agredido por um grupo de militares

Marcelo Bastos
O Exército instaurou na manhã desta segunda-feira (12) um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar denúncias de tortura contra um jovem na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, e os confrontos entre militares da Força de Pacificação e moradores. Os conflitos ocorreram em vários pontos da comunidade, no último sábado (10), pouco antes da visita do príncipe Harry ao Complexo do Alemão, também patrulhado pelo Exército.
O IPM foi confirmado pelo chefe da comunicação social da Força de Pacificação, coronel Fernando Fantazzini, que considerou a denúncia de tortura gravíssima. Um jovem de 22 anos diz que foi amarrado em uma árvore, recebendo socos, borrifadas de spray de pimenta e choques, na madrugada de sábado. Por conta das supostas agressões, ele fraturou o braço, ficou com escoriações no rosto e registrou queixa na Delegacia da Penha no domingo (11).
– Estamos aqui há um ano e quatro meses e a denúncia desse jovem que desapareceu e reapareceu dizendo que foi agredido é a mais grave que já recebemos. O pai dele fez um registro na delegacia, que ainda não chegou até nós, mas somos os maiores interessados em esclarecer o que aconteceu. Se as denúncias forem verdadeiras, os militares serão punidos com o rigor da lei. O Exército não compactua com atitudes desse tipo.
O coronel informou que, como a denúncia não chegou formalmente até o Exército e nenhum militar foi apontado especificamente como autor, não houve a necessidade de afastamento de nenhum integrante da tropa. Ainda não se sabe se a denúncia de tortura também teria motivado os confrontos entre moradores e militares.
Confusão generalizada
As informações iniciais indicam que os confrontos na Vila Cruzeiro teriam começado depois de um acidente com uma motocicleta no local onde militares revistavam moradores, nas proximidades da avenida Nossa Senhora da Penha. Os envolvidos teriam culpado os militares pela batida. Depois desta confusão, de acordo com o Exército, a tropa foi atacada em vários pontos, em horários próximos e cerca de meia hora antes da chegada do príncipe Harry à região.
Pelo menos cinco viaturas, com dez militares cada, teriam sido alvos de ações hostis que iriam desde pedradas e pauladas até tiros. Segundo os militares, ao menos 40 disparos foram efetuados contra a tropa.
O comandante da Força de Pacificação, general Thomas Miguel Ribeiro Paiva, disse acreditar que as ações foram orquestradas por bandidos.
– Eu acredito que as ações tenham sido orquestradas. Nós não temos histórico deste tipo de ação neste horário. Além disso, foram ações em vários lugares ao mesmo tempo.
Ainda segundo o comandante da Força de Pacificação, durante o mês de fevereiro, foram registradas pelo menos 80 ações hostis contra os militares. A média é muito superior a de outros meses, quando os episódios aconteciam de 15 a 20 vezes.
O Exército acredita que as ações podem ser uma tentativa do terceiro escalão do tráfico de tentar retomar os pontos de venda de entorpecentes após a prisão do primeiro e do segundo escalões das quadrilhas que atuavam na área.
Apesar dos incidentes, a visita do príncipe Harry ao Complexo do Alemão ocorreu sem problemas.
Substituição de tropa
No fim deste mês, as tropas do Exército começam a ser substituídas por Policiais Militares. O trabalho, que vai ocorrer de forma gradual, será concluído em junho deste ano, quando deve ser inaugurada uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na região.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, antes da instalação, os conjuntos de favelas da Penha e do alemão devem passar por varreduras, a exemplo do que ocorreu em todas as outras comunidades com UPP. As buscas por armas e drogas serão realizadas pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) e pelo BPChoq ( Batalhão de Choque).
O trabalho é necessário porque, apesar de as favelas já estarem ocupadas, as tropas continuam apreendendo armas e drogas. Somente no mês de fevereiro, de acordo com o Exército, foram encontrados 6 mil papelotes de cocaína nos conjuntos de favelas.

R7/montedo.com

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