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Atualização: 09h50:
PF desarticula quadrilha que era liderada por “militar-pastor”
IANE CHAVES
Luxo. O pastor Carlos Henrique teria acumulado um patrimônio significativo; ele teria cerca de 20 imóveis de alto padrão em Lagoa Santa – FOTO: CRISTIANO TRAD
A Polícia Federal desarticulou ontem uma organização que cometia crimes financeiros contra a administração pública, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em Minas e em outros 22 Estados, causando um prejuízo de pelo menos R$ 10 milhões. Os crimes eram cometidos por meio da empresa Filadélphia Empréstimos Consignados Ltda, com matriz em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Durante a operação Gizé (em alusão às pirâmides do Egito), os policiais prenderam sete pessoas em Belo Horizonte e Lagoa Santa, entre elas o sargento da reserva da Aeronáutica Carlos Henrique Vieira. O militar é o presidente da Filadélphia, pastor da igreja evangélica Pentecostal do Evangelho Pleno e pré-candidato a prefeito da cidade da região metropolitana.
Além dele, outras seis pessoas foram presas: dois vice-presidentes da empresa, um deles da Aeronáutica, uma contadora e o chefe de segurança da Filadélphia – este último por porte ilegal de armas e de quatro granadas, que foram encontradas em sua casa. Fecham a lista de suspeitos dois gerentes de uma agência da Caixa Econômica Federal, que seriam pagos para liberar financiamentos irregulares. Nenhum representante do banco quis falar sobre o caso. Ninguém da empresa foi encontrado para comentar as denúncias.
Se comprovada a responsabilidade dos envolvidos no esquema, eles podem pegar até 90 anos de prisão pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, falsidade documental, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
O esquema. Segundo informações do chefe da Delegacia de Repreensão a Crimes Financeiros, Mário Veloso, as investigações começaram no início de 2011, depois de denúncias. A maioria dos clientes era militar da Aeronáutica – a polícia não sabe precisar o tamanho da cartela de clientes, mas calcula que haja milhares de prejudicados.
O policial afirma que foram cumpridos 84 mandados e encontrados indícios de que eles praticavam o esquema da pirâmide – os suspeitos se apropriavam do dinheiro dos clientes e os remuneravam com juros acima dos praticados no mercado, de 2,5% a 5%; o máximo encontrado em empresas especializadas é de 2%. Eles também estariam emprestando dinheiro e cobrando juros, contratando financiamentos ilegais e atuando no ramo de seguros sem autorização do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Além disso, eles teriam cometido sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
A igreja pentecostal seria usada para pagar funcionários, conseguir novos clientes e eleitores e para lavar o dinheiro do esquema.
O delegado informou que vai levantar o patrimônio dos envolvidos para tentar minimizar o prejuízo dos clientes lesados. “A Polícia Federal vai fazer uma investigação patrimonial de toda a organização para minorar os prejuízos desses milhares de clientes”, disse.
Ação
Mandados
A operação cumpriu 84 mandados, sendo seis de prisão temporária, 18 de busca
e apreensão, 20 de sequestro de imóveis e 40 de veículos, além do bloqueio de contas da e apreensão de documentos.
VÍTIMAS
Investidores vão entrar na Justiça
Moradora de Lagoa Santa, na região metropolitana, Tereza (nome fictício) foi uma das vítimas do golpe da pirâmide. Ela investiu R$ 40 mil na Filadélphia com promessa de rendimentos de 3,5% ao mês, mas só recebeu os benefícios durante três meses. “Eu via que a empresa estava crescendo muito na cidade e não imaginava que era fruto de roubo. Investi tudo que tinha. Agora quero meu dinheiro de volta”, afirmou.
Um parente dela também caiu no golpe. Ao ver que Tereza ganhava dinheiro, investiu R$ 25 mil, mas nunca teve retorno. Os dois vão entrar na Justiça.
Desde que fundou a Filadélphia, em 2006, o patrimônio do pastor e militar Carlos Vieira cresceu. Hoje, conforme a polícia, ele tem cerca de 20 imóveis em Lagoa Santa; são escritórios, escola, casa de festas, livraria, cafeteria, imobiliária, empreiteira. Segundo moradores da cidade, ele já teria dito, em algumas ocasiões, que teria conquistado seu patrimônio “com muito suor”. (Joana Suarez)
Esquema igual ao de Thales Maioline


Apontado como o principal crime cometido pela quadrilha, o esquema da pirâmide é muito semelhante ao cometido por Thales Maioline, que está preso há mais de um ano por ter causado um prejuízo estimado em R$ 100 milhões.
O caso veio a público em 2010, quando a Polícia Civil e o Ministério Público revelaram crimes que ele cometeu por meio de seu clube de investimentos – 2.000 pessoas teriam sido lesadas. Além de Thales, seus sócios na Firv Consultoria, Iany Maioline e Oséias Ventura, também são réus no processo, mas aguardam em liberdade. 
(Rafael Rocha)
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