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Márcio Lisboa
Os comandantes militares das Forças Armadas encaminharam ao Palácio do Planalto documento sigiloso sobre a real situação da defesa nacional que mostra o sucateamento dos equipamentos. O professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorando da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Vitelio Brustolin, explica o porquê da situação de sucateamento das Forças Armadas que com essa realidade esvaziam, inclusive, as pretensões do Brasil de obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “É chocante a situação da nossa defesa, não tanto pelo que se tornaram os equipamentos, mas o abandono generalizado.” Argumenta que a “defesa tem um orçamento alto. Não é pouco que se gasta em defesa no Brasil. De todos os ministérios da União, é o terceiro que mais recebe recursos. Só fica atrás da Previdência e da Saúde”.
Contingenciamentos para folha
Há, no entanto, um bom motivo para as reclamações de sucateamento. Os recursos, que sofrem constante contingenciamento, são utilizados da seguinte forma: 80% (R$ 40 bilhões) do montante é destinado para as Forças Armadas saldar a folha de pagamento, sendo que desse total, 63% (R$ 25,2 bilhões) servem para pagar os 330 mil inativos e pensionistas. Sobra muito pouco, só 5%, para custeio que é exatamente a manutenção do equipamento. Para investimentos restam apenas 3%. Na avaliação do professor Vitelio Brustolin, o mais grave é que não se tem uma visão de como seria útil a defesa para fins científicos. Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos. “Todo mundo critica os americanos que investem em defesa. Mas na verdade a política norte-americana é de ciência, tecnologia e defesa. Então, muitas das tecnologias desenvolvidas para a Defesa acabaram tendo utilização no mercado civil, como, por exemplo, o computador, o telefone celular, a internet, a fibra ótica, o micro-ondas, o GPS. Todas essas tecnologias foram geradas no período pós-Segunda Guerra, na corrida da Guerra Fria contra a ex-União Soviética e elas acabaram entrando no mercado civil. Então, a gente tem no País investimentos de Estado que vêm se desenvolvendo há décadas, como o submarino nuclear”,explicou.
Modernização da Defesa
Mas o governo não vê um sucateamento. Para o Palácio do Planalto, os recursos da Defesa são direcionados para investimentos em profissionalização e modernização das Forças Armadas. “As políticas dos últimos anos são todas com o objetivo de qualificar as Forças Armadas”, afirmou o deputado gaúcho Henrique Fontana, do PT, titular da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele explica que é política do governo aumentar o uso de produtos nacionais na defesa. Mas admite certo abandono. “É verdade que as Forças Armadas vivem um momento de escassez. Ainda temos débitos que precisamos resgatar”, disse.
Jornal do Comércio/montedo.com
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