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Soldado é morto no stand de tiro do Exército
Belém – Há dois anos com a farda do Exército, onde pretendia seguir carreira militar, o soldado Fábio Clayton Coelho, 21, teve o sonho interrompido. Ele saiu cedo de casa para cumprir mais um dia de serviço. O plantão iniciou às 7h30 no stand de tiro “General Dutra” e só retornaria para casa no dia seguinte. Mas, no sábado à tarde, quando estava no descanso, segundo o Exército, foi atingido com um tiro de uma espingarda calibre 12. O soldado chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
De acordo com informações da irmã do soldado, que preferiu o anonimato, a família foi avisada entre 21h e 22h do sábado. Uma equipe do Exército foi até a residência do soldado, no bairro da Marambaia, e deu a notícia a respeito do incidente. “Eles disseram que o meu irmão levou o tiro às 17h15 e, em seguida, levaram ao hospital da Aeronáutica. Quando deu 19h20, o meu irmão morreu, sendo que eles só vieram aqui em casa quase 22h. Por que tanta demora para informar?”, questionou a moça.
Sobre o disparo, a equipe do Exército alegou à família que foi acidental. “Eles disseram que um soldado estava mexendo na arma e acabou disparando, e o tiro acertou meu irmão. Uma hora disseram que o meu irmão estava na guarda, depois já falaram que ele estava no horário de descanso”, relatou a moça com desconfiança. A família do soldado não está conformada com a versão repassada pelo Exército.
Na manhã de ontem, o pai do soldado, Clodoaldo dos Santos, estava no Instituto Médico Legal (IML) à espera da liberação do corpo do filho e disse que está no aguardo do laudo da perícia para saber a verdadeira causa da morte. “Eu não sei se o meu filho estava na guarda ou no descanso, só vou saber o que realmente aconteceu após sair o laudo da perícia”, disse Clodoaldo.
COMANDO
O comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Selva, o tenente-coronel Edson Sá Rocha Junior, prestou informações à imprensa a respeito do caso na manhã de ontem. Ele iniciou a entrevista informando que o que aconteceu foi acidente e que o soldado que fez o disparo ficou muito abalado e também precisou de atendimento médico.
“O disparo foi involuntariamente dado por um soldado que estava na sentinela do stand. Enquanto isso, o soldado Fábio estava deitado na rede, no descanso, quando foi atingido pelo tiro que acertou a mão e o abdômen. Em seguida, o soldado Fábio foi encaminhado ao centro cirúrgico do hospital da Aeronáutica, mas não resistiu”, informou o comandante.
O tenente-coronel disse que a equipe do Exército deu a notícia aos familiares do soldado às 20h40 e, a partir desse momento, foi dado todo o apoio à família. “É um momento muito triste para a família militar, sabemos que nada justifica nesse momento para os familiares do soldado, mas o Exército está prestando todo o apoio necessário”, disse o comandante.
Já estão em andamento os procedimentos administrativos e já foi aberto inquérito policial militar para apurar a morte do soldado. O militar que fez o disparo estava em estado de choque, segundo o comandante, e, devido ao estado emocional, precisou tomar medicamentos.
PRESO
Ainda na manhã de ontem, o militar seria ouvido e encaminhado para a 5ª Companhia de guarda, onde ficará preso. Mesmo se tratando de um homicídio culposo, sem a intenção de matar, o suspeito vai ficar preso à espera da decisão judicial. 
Diário do Pará
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