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Fome e estresse ameaçam trabalho de voluntários em SC
Diante da ameaça de debandada de voluntários, o major Marcius Vinícius, comandante do grupo, fez uma reunião na madrugada deste domingo Foto: Fabricio Escandiuzzi /Divulgação
FABRICIO ESCANDIUZZI
Direto de Itajaí
A falta de estrutura e alimentação a voluntários na cidade de Itajaí vem comprometendo o trabalho de triagem de donativos. Foi preciso que os militares que atuam na região atingida pela enchente após as intensas chuvas dos últimos dias realizassem uma reunião e pedissem que “a fome e o estresse fossem combatidos com disciplina”.
Um voluntário, que pediu para não ser identificado, reclamou que já era quase meia-noite e a última alimentação teria sido servida às16 horas. Segundo ele, em 2008 havia mais informações para as pessoas que passavam a madrugada trabalhando. “Não temos informação, água, café. Não temos nada”, disse o jovem. “Estão todos perdidos e sem saber o que fazer. Seria mais fácil encher o carro de doações e levar para as áreas atingidas”.
O grupo da 14ª Brigada de Infantaria atua no centro de triagem de donativos de Itajaí, cidade localizada a 90 km de Florianópolis, há mais de 12 horas. Diante da ameaça de crise e debandada de voluntários, o major Marcius Vinícius, comandante do grupo, fez uma reunião com voluntários na madrugada deste domingo. A intenção era organizar a distribuição de roupas, alimentos, água e colchões. “O Exército só vai parar de trabalhar quando o último desabrigado for atendido. Nessas horas tão difíceis a gente precisa de disciplina e muita dedicação, pois não podemos parar sem conquistar o objetivo que traçamos”, disse.
O militar destacou que inúmeros voluntários tem se apresentado para levar mantimentos ou ajudar na triagem do material recebido. Diferente da enchente de 2008, quando a arena da Marejada chegou a se transformar no gabinete do vice-governador Leonal Pavan, neste episódio os voluntários lutam contra a falta de água e estrutura e chegaram a reclamar da falta de comida. “Temos estresses, todo mundo está cansado e com fome, mas não vamos parar”, afirmou o militar. “As dificuldades são gritantes, mas precisamos atender quem precisa do Exército e dos voluntários”, concluiu.
Falta de água na cidade
A falta de água em Itajaí fez com até mesmo os abrigos que recebem as vítimas da enchente precisassem ser abastecidos com carros-pipa na madrugada deste domingo.
Os principais estabelecimentos da cidade, como postos de gasolina e restaurantes, fecharam as portas na noite de sábado devido à falta de água. “Não temos como dar as mínimas condições aos clientes. Não dá para usar água mineral para lavar louça”, disse Fernando Villas-Boas, proprietário de um bar na cidade. No abrigo montado pela prefeitura na escola Nereu Ramos, localizada na saída de Itajaí e que recebeu dezenas de desabrigados, um carro pipa terceirizado foi enviado para garantir o banho das vítimas da enchente.
De acordo com as informações da prefeitura de Itajaí, as bombas da Semasa, empresa responsável pelo abastecimento de água e saneamento na cidade, foram danificadas na sexta-feira com o aumento do nível dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim.
O corte no fornecimento começou na sexta-feira e, segundo o órgão, não existe previsão para normalização. Carros pipas serão responsáveis pelo abastecimento e prioridade é atender postos de saúde e abrigos.
TERRA
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