Escolha uma Página
Pacificação em xeque
Complexo do Alemão tem noite de tiroteios e Exército reforça ocupação
Militares trocam tiros no Complexo do Alemão – Foto: Pablo Jacob – O Globo
Renata Leite e Duilo Victor ([email protected])
Um intenso tiroteio assustou moradores do Complexo do Alemão, na Zona Norte, na noite desta terça-feira. Militares da Força de Pacificação, que estão na comunidade desde novembro do ano passado, interromperam o tráfego de veículos na Estrada do Itararé, na altura da Avenida Itaoca. O clima foi de tensão durante toda a noite na sede da tropa na base do morro, onde ninguém além dos militares pode entrar.
Por volta das 21h20m desta terça, dois veículos blindados do Exército, além de diversos carros da Polícia Militar, entraram na comunidade para reforçar a ocupação. Um veículo do Batalhão de Operações Especiais (Bope), conhecido como “caveirão”, também chegou ao local. Diversas balas traçantes foram vistas da parte baixa da favela.
Após o tiroteio, o policiamento no Complexo do Alemão e em seu entorno foi reforçado. Por meio de uma nota, o Exército informou que a tropa que ocupa o local recebeu o apoio de uma campanha de fuzileiros navais, com cerca de cem homens.
A Polícia Militar também divulgou uma nota informando a ocupação dos morros da Baiana e do Adeus. De acordo com as informações divulgadas, o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, determinou a ocupação de ambos os morros por tempo indeterminado. Cerca de 50 homens dos batalhões de Olaria e da Maré ocuparam as comunidades, porém, se for necessário, a quantidade de policiais pode aumentar. O Batalhão de Campanha também continua em auxílio ao trabalho da Força de Pacificação, cujo comando é do Exército Brasileiro
“A medida de ocupar o Adeus e a Baiana acontece em razão de não ter tropas federais lá, e serem ambos locais com comandamento – ou seja, visão de cima para baixo – portanto, facilitadores de agressão (tiro, arremesso de objetos etc) contra as tropas que patrulham a Avenida Itararé”, diz trecho da nota oficial do coronel Mário Sérgio.
A Secretaria de Segurança informou que homens do Bope e do Batalhão de Choque (BPChoque) policiam o entorno das comunidades da Baiana e do Adeus. Devido a um acordo feito com o Exército, os policiais militares só podem entrar nas comunidade do Complexo do Alemão, com autorização.
Em nota, a Secretaria de Segurança diz que a reação dos criminosos foi motivada pelo fechamento de uma revenda de gás clandestina, que pertenceria ao irmão do traficante Marcinho VP, no Alemão; e também a divulgação da ampliação de tempo em que o Exército permanecerá no Complexo.
Traficantes continuam vendendo drogas na região
Vídeo flagra a ação de traficantes na Vila Cruzeiro (Foto: Reprodução de vídeo)


Segundo policiais de plantão no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, um homem identificado apenas como Luiz, de 47 anos, foi atingido por estilhaços de granada na cabeça, quando estava na Avenida Itaoca, no Complexo do Alemão, na noite desta terça-feira.
Apesar da ocupação militar nos Complexos da Penha e Alemão, traficantes continuam na região vendendo drogas e portando armas, mesmo que de pequeno calibre. Um vídeo feito pelo serviço de inteligência da Força de Pacificação, divulgado nesta terça-feira, mostra bandidos agindo livremente na Rua 9, na Vila Cruzeiro. De acordo com o comandante da Força de Pacificação, general Cesar Leme Justo, equipes militares ficaram durante uma noite em um posto de observação e puderam constatar a boca de fumo funcionando a todo vapor. Após filmar traficantes, militares agiram no local e doze pessoas foram detidas. Duas delas, identificadas como Marcos Aurélio da Silva e Edson Marques Barros, foram presas por associação ao tráfico.
O vídeo começou a ser feito no domingo antes do conflito entre moradores e militares, que ocorreu em outro ponto, no Complexo do Alemão, e continuou sendo realizado durante toda a noite . As imagens mostram traficantes vigiando a boca de fumo no início da noite. Uma moradora chega a levar jantar para os homens que vendem drogas. Em seguida, o grupo vende drogas e conta dinheiro. O movimento da boca de fumo aumenta por volta das 23h, e o grupo somente se separa quando percebe a chegada das tropas do Exército.
O general Leme classificou como pontual o episódio entre moradores e militares no domingo no Complexo do Alemão. O comandante acrescentou que, na noite desta segunda-feira, os militares tiveram que intervir, uma vez que um grupo de mototaxistas se misturou aos manifestantes e começou a provocar os militares com palavras e jogando pedras. Na avaliação do general, um grupo, provavelmente ligado ao tráfico de drogas, se aproveitou da situação de protesto dos moradores para tentar desmoralizar a ação do Exército na região.
O GLOBO/TV O DIA
Skip to content