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‘Era general que queria ir para reserva’, diz cientista político sobre Jobim

Cristiana Veronez de Lima
Após saída conturbada do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, o cientista político e professor de Ciência Política da PUC-Rio, Ricardo Ismael, conversou com o SRZD e falou sobre a sucessão de eventos negativos que ocorreram no governo de Dilma Rousseff. Ele comentou sobre a saída do ministro, a crise na pasta dos Transportes e os efeitos deste cenário na política atual.
Em relação ao comportamento do ex-ministro, Ricardo foi enfático: “Jobim era general que queria ir para a reserva. Ele não tinha o mesmo prestígio que tinha no governo Lula. Com Dilma, ele não era requisitado como anteriormente. Ele tem currículo. Não cometeria essa gafe por acaso. Sua demissão era inevitável”.
O professor acredita que o eleitorado de Dilma Rousseff apoia as atitudes da presidente em relação às irregularidades nos ministérios de seu governo. As exonerações do Dnit e agora a substituição do ministro da Defesa normalmente são encaradas com bons olhos pelos eleitores, mas ela perde com o PR. “Quando Dilma tenta zelar pelo dinheiro público e para que licitações e contratos sejam feitos dentro de um processo honesto, ela tem apoio das pessoas com esta intervenção. Mas o PR tem 40 deputados e 7 senadores, e é um partido que está inconformado. Ou seja: quando precisar do apoio deles, poderá enfrentar problemas”.
Ricardo não considera que as demissões em massa possam deixar o governo marcado pela instabilidade. “O combate à corrupção é sempre uma atitude que ganha o público. Sem dúvidas. Basta saber se eles (governo) vão continuar agindo, se vão devolver o dinheiro público”. Mas levanta uma dúvida: “Será que ela (Dilma) vai continuar com essa postura firme também com o PT, por exemplo?”.
Atuação polêmica
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim não esperou que a presidente Dilma Rousseff o demitisse depois das declarações publicadas na revista “Piauí”. Logo após voltar de Tabatinga (AM), ele próprio pediu a exoneração do cargo. Agora, quem está em seu lugar é Celso Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores no governo Lula.
Jobim fez comentários nada elegantes com relação a colegas de trabalho. Ele classificou a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha” em sua atuação, além de dizer que Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil, “nem sequer conhece Brasília”. Na semana anterior, o ex-ministro revelou ter votado em José Serra (PSDB) para a presidência nas eleições de 2010.
SRZD
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