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Justiça decreta prisão de sargento que atirou em jovem após Parada Gay
A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva do sargento do Exército Ivanildo Ulisses Gervásio acusado de atirar na barriga de Douglas Igor Marques, atualmente com 20 anos, quando este saía da Parada Gay no Arpoador em novembro do ano passado. Ele será preso porque estaria contrangendo testemunhas do processo.
Confissão
Os dois militares do Exército confessaram ter participado das agressões e do tiro que feriu Douglas após Parada Gay de Copacabana há oito meses. Os militares foram presos administrativamente no Forte Copacabana. Os acusados alegaram que teriam sido “desafiados” pelo estudante.
Pouco depois de ter sido atingido, jovem mostrou abdômen com curativo | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
A tenente do Exército, que conduziu o caso, confirmou que o atirador possui uma peculiaridade na fala e que foi comprovado vestígio de pólvora nas mãos dele, após exame. Os militares envolvidos no caso foram identificados como Ivanildo Ulisses Gervasio e Jonathan Fernandes da Silva e ambos são 3º sargento do Exército.
Investigações
Na ocasião, o delegado da 14ª DP (Leblon) que ouviu os três militares envolvidos no crime afirmou que o autor do disparo preferiu não se pronunciar. Um dos acusados chegou a alegar que o disparo foi acidental. O sargento foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima, com dolo eventual.
Segundo a polícia, o autor do disparo alegou que manuseava a arma apenas para intimidar o jovem. Além da polícia, o Exército fez uma investigação paralela do caso para analisar as armas e os vestígios de pólvora nas mãos dos militares. Mas como o episódio foi fora da área militar, o caso saiu da Justiça Militar.
O dia do crime
No dia 15 de novembro, a mãe de Douglas, a estudante de direito Viviane, de 37 anos, disse que o filho, que é estudante do 3º ano do ensino Médio, tinha saído da Parada Gay e seguido para as pedras do Arpoador com um grupo de amigos. O local é conhecido como ponto de encontro de homossexuais e estava lotado. Três militares fardados, do Forte de Copacabana, que fica ao lado, chegaram ao local pressionando os frequentadores a sair. Douglas acabou sendo seguro por eles.
Ainda segundo Viviane, o filho contou que os militares pediram a identidade dele e o telefone da família. Após cumprir as exigências, ele disse que os militares argumentaram se seus pais sabiam de sua presença no local e que seria homossexual. O estudante teria respondido que a mãe sabia de sua condição de gay, o que teria irritado os militares. Em seguida, o jovem teria sido agredido com um soco no rosto por um deles e depois atingido com um tiro de pistola na barriga.
“O meu sentimento é de indignação com esse preconceito idiota. Sou estudante de Direito e para mim esse tipo de coisa é difícil de aceitar”, protestou Viviane. Ela afirmou ainda que vai levar o caso  adiante. O Exército ainda não se pronunciou.
Douglas foi levado por policiais do 23º BPM (Leblon) para o Hospital Miguel Couto (HMC), na Gávea. O tiro perfurou lateralmente o abdômen do jovem.
Reação do Exército na época
O Comando Militar do Leste (CML) nego, em nota oficial, qualquer envolvimento no caso do rapaz. O Exército disse ainda que não teria acontecido registro de disparos de armas de fogo por miliatres de serviço no Forte de Copacabana no domingo e que o local da ocorrência não está sob administração do Forte. A nota do CML informa, ainda, que não foi feito nenhum tipo de patrulhamento externo por militares.
Também nesta segunda-feira, a Polícia Civil solicitou ao Comando Militar do Leste a presença do oficial do dia do Exército para prestar depoimento. O objetivo é identificar quem baleou o estudante.

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