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O uso de armaduras na Idade Média era tão exaustivo para os soldados que pode ter alterado o resultado de batalhas famosas, segundo pesquisadores britânicos e italianos.
Cientistas da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e da Universidade de Milão, na Itália, monitoraram voluntários usando réplicas de armaduras do século 15 enquanto eles corriam e andavam em esteiras para exercícios.
Eles descobriram que os homens gastavam duas vezes mais energia do que em uma caminhada normal, porque carregavam muito peso sobre as pernas e tinham dificuldades para respirar.
Na pesquisa, divulgada na publicação científica Proceedings of the Royal Society B, os pesquisadores dizem acreditar que o peso das armaduras podem ter afetado o resultado de batalhas históricas na Idade Média.
Eles usam como exemplo a Batalha de Agincourt, uma das principais vitórias da Inglaterra sobre a França, em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos.
No confronto, os franceses foram vencidos pelos ingleses, apesar de os superarem em uma razão de aproximadamente 5 soldados franceses para cada inglês.
Mas segundo os pesquisadores, os franceses, que tinham que atravessar a pé um campo enlameado para chegar à frente de batalha dos ingleses, foram tão exauridos pelas armaduras durante a caminhada que não tiveram chances.
“Estas armaduras pesam entre 30 e 50 quilos, é uma fração muito grande do peso do corpo da pessoa que a estava usando”, disse o pesquisador britânico Graham Askew, que conduziu o estudo.
Batalhas
No século 15, as armaduras eram construídas a partir de placas de aço interligadas, que cobriam o soldado da cabeça aos pés. Os pesquisadores acreditavam que a proteção extra trouxe mais peso e menos comodidade para os soldados – fato que, até agora, não havia sido comprovado por medições.
Para o estudo, quatro voluntários, que encenam batalhas para o Museu Nacional de Armas e Armaduras, em Leeds, usaram suas réplicas de armaduras inglesas, alemãs e italianas em uma esteira elétrica.
Os pesquisadores calcularam a energia gasta durante a corrida com base na quantidade de oxigênio que os voluntários respiravam e na quantidade de dióxido de carbono que produziam.
Câmeras de alta velocidade também ajudaram os cientistas a entender como os homens distribuíam a carga do peso da armadura entre seus membros durante a corrida.
Para cientista, as armaduras medievais podem ter interferido em resultados de batalhas
As placas metálicas no peito e nas costas das armaduras também afetavam a respiração. Ao invés de conseguirem respirar profundamente enquanto corriam, os voluntários tinham que respirar rapidamente, o que demandava mais energia.

Dores nas pernas
Os pesquisadores também compararam a performance dos voluntários com armaduras com a de outros carregando o peso equivalente em mochilas, de maneira semelhante ao que os soldados fazem atualmente.
Segundo Askew, apesar de o peso ser o mesmo, carregá-lo como armadura é mais ‘custoso’ em termos energéticos do que como mochila.
“Uma das principais razões para isso é que, quando você usa uma armadura, a maior parte do peso se concentra sobre as pernas – entre 7 e 8 quilos. Quando você anda, requer mais esforço dos músculos das pernas”, disse.
Remover esta parte das armaduras, de acordo com o pesquisador, só foi possível a partir do século 16, quando o desenvolvimento de armas de fogo fez com que o combate direto se tornasse menos frequente
BBC BRASIL
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