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Oficial do Exército fala sobre ocupação do Complexo do Alemão
Lúcia Pires
Ainda são muito fortes na memória dos fluminenses em geral – e do carioca em particular – as imagens de traficantes se embrenhando na mata para tentar fugir da polícia no Complexo do Alemão, no final do ano passado. Quase sete meses depois, o clima no Complexo é outro: os moradores voltaram a andar despreocupados pelas ruas e retomaram suas rotinas de vida. Até novembro de 2010 a região – composta por um conjunto de 13 favelas da zona norte do Rio de Janeiro – era considerada uma das localidades mais violentas da cidade. Com uma área de cerca de 3 quilômetros quadrados, o Complexo do Alemão atualmente tem índices baixíssimos de homicídios. De janeiro até a última semana ocorreram apenas dois casos.
O chefe do Estado-maior da Força de Pacificação, Coronel Pedrotti, falou sobre como os militares atuam junto aos moradores do Complexo para garantir a manutenção da segurança pública após todo o processo para alcançar o estado atual de tranquilidade.
– No final de dezembro iniciou-se o trabalho da Força de Pacificação, composta por membros do Exército, PM, Polícia Civil e da Unidade de Batalhão de Campanha, que é composta por 250 homens e criada especialmente para essa operação. Ao todo contamos com um efetivo de cerca de 1.700 homens. O balanço que nós temos é bastante positivo, conseguimos realizar nossas metas de pacificação. O Estado consegue entrar para realizar seus trabalhos como saneamento básico, coleta de lixo e manutenção de limpeza urbana. Agentes da Guarda Municipal conseguem realizar seus trabalhos, assim como as empresas privadas. Hoje qualquer pessoa entra e sai com segurança na área – disse Pedrotti, acrescentando que, atualmente, a região pacificada apresenta apenas um tipo de tráfico itinerante e não se configura mais como um local de tráfico de drogas pesadas como ocorria anteriormente.
– Além de realizar atividades de manutenção de ordem pública como patrulhamentos, vasculhamentos, revistas e cobranças de procedimentos legais, nós também procuramos nos aproximar da comunidade, seja através dos líderes comunitários como também no dia a dia, ouvindo os anseios da população. Nós temos um canal de ouvidoria à disposição da população que atende as demandas de segurança, mas também a outras que nós encaminhamos, como problemas de lixo, água e iluminação. Nós buscamos fazer uma interface entre a comunidade e os órgãos públicos responsáveis. Isso tem sido muito bom para os moradores, que têm correspondido de forma bastante positiva – contou o militar.
Ao ser atendido pela ouvidoria ou na própria base do Exército, os moradores são perguntados se estão satisfeitos ou não com a Força de Pacificação e, segundo Pedrotti, cerca de 86% dos entrevistados afirmaram que estão satisfeitos com a Força Pacificadora, informações que são confirmadas por uma pesquisa realizada em fevereiro pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os resultados da pesquisa mostram que os moradores do Complexo estão confiando mais na justiça. Essa mudança se deu após a chegada das forças de segurança. Antes da ocupação, os moradores deram nota 32 para o policiamento. Depois, a avaliação subiu para 57, sendo que a melhor nota da pesquisa foi para a conquista do direito de ir e vir.
‘Retomada’ começou em novembro
A mudança radical vista na região deve-se, em muito, à intervenção do Estado na área: no dia 25 de novembro de 2010 a Polícia Militar – com apoio da Marinha do Brasil – fez uma operação especial para tomar o controle da Vila Cruzeiro. Os traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, mas no dia seguinte as polícias Militar, Federal e Civil e as Forças Armadas se posicionaram nos arredores do Morro do Alemão, a fim de tirar o controle do tráfico nesta região como foi feito na Vila Cruzeiro no dia anterior. Em dezembro o Exército Brasileiro montou uma base dentro do Complexo, entrando inicialmente com a Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, sendo substituída, em fevereiro, pela 9º Brigada (Escola) de Infantaria Motorizada do Rio de Janeiro, e integrantes da 4ª Brigada de Juiz de Fora – que atuou no Alemão até maio deste ano, quando foi substituída pela 11ª Brigada de Infantaria Leve de Campinas, composta de militares de São Paulo, Paraná, e Santa Catarina, que controla as operações até o momento.
Sob o comando do General Sarmento, responsável pela Força de Pacificação, essa brigada deverá ficar na região até agosto, quando será substituída pela 9ª Brigada do Rio de Janeiro, que permanecerá em atividade até o final de outubro, ocasião em que está prevista a saída do Exército do Complexo para que no local seja instalada uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
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