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É estarrecedora a informação do Diário de Cuiabá, de que Evo Morales abriu uma ‘janela’ de 15 dias para que os bolivianos legalizem os veículos irregulares no país. Em outras palavras, isso significa ‘esquentar’ os carros roubados no Brasil, que circulam livremente pelas ruas do país vizinho. Com propriedade, o jornal cobra uma ação mais efetiva do Exército e demais Forças de Segurança na fronteira.

Questão internacional
Independentemente do Plano Estratégico de Fronteiras que está a um passo de entrar em vigor como política de combate aos crimes transnacionais, Mato Grosso tem que reforçar a segurança na região fronteiriça com a Bolívia para tentar impedir a travessia de veículos roubados ou furtados no Brasil para aquele país.
Isso porque entrou em vigor na quinta-feira uma lei de autoria do presidente Evo Morales, que abre janela de 15 dias para a legalização de todos os veículos que entraram ilegalmente naquele país. Morales fundamenta seu ato pelo ângulo do aumento da receita. O governo de La Paz revela que cerca de 10 mil carros irregulares circulam na Bolívia e que a legalização dessa frota renderia aos cofres públicos um aporte em torno de US$ 5 milhões.
Fontes independentes criticam o presidente por seu ato e apresentam números diferentes: sustentam que 100 mil veículos irregulares engrossam a frota boliviana estimada em 1,7 milhão de carros e observam que a legalização deverá render em torno de US$ 120 milhões ao governo Evo Morales.
Os carros roubados e furtados que entram na Bolívia cruzam a fronteira no Mato Grosso do Sul, em Mato Grosso e Rondônia e no Acre. Seus motoristas são conhecidos nos meios policiais por “cabriteiros”. Normalmente os automóveis, caminhões, tratores e utilitários viram moeda de troca para pagamento de cocaína aos barões do pó daquele país.
Mato Grosso tem 983 km de fronteira com a Bolívia nos municípios de Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. Essa extensa faixa tem 730 km de fronteira seca com incontáveis pontos vulneráveis e utilizados por quadrilhas de roubam veículos; esses pontos são chamados de estradas cabriteiras.
Em Mato Grosso a fronteira é muito vulnerável. Seus pontos fixos de controle pelo Exército estão instalados nos destacamentos militares de Corixa, Santa Rita, Fortuna, Descalvado e Palmarito. O Grupo Especial de Fronteira (Gefron – força estadual) tem bases em alguns pontos e realiza permanentes operações na rodovia federal 070 (que liga Cáceres a San Matias, na Bolívia) e nas estradas estaduais 265 e 199 que acompanham a linha imaginária que une os dois países.
O Plano Estratégico de Fronteiras deve ser antecipado em Mato Grosso e nos outros três estados que fazem fronteira com a Bolívia, porque a conivência do governo daquele país com o crime transnacional no tocante aos veículos furtados e roubados estimulará as quadrilhas especializadas nesses tipos de ações a intensificarem suas investidas.
Impedir a passagem de veículos irregulares do Brasil para a Bolívia é bem mais fácil que encontrar drogas carregadas em pequenas quantidades por traficantes chamados por “mulas”. A população espera que as autoridades não percam essa batalha que tem prazo de duração estabelecido entre aspas pelo governo vizinho. De igual modo, espera que o Itamaraty cumpra seu papel diplomático protestando contra o destemperado ato do presidente boliviano.
“A população espera que as autoridades não percam essa batalha 
que tem prazo de duração estabelecido”
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