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Uso das Forças Armadas não é solução para os problemas de segurança pública, diz Jobim

Alana Gandra
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, manifestou hoje (17) temor de que, embalados pelo sucesso da política de segurança pública implantada no Rio de Janeiro, que ressalta a parceria entre os governos federal e fluminense, os estados pensem que ela é solução para todos os problemas de segurança e deixem de investir no setor. Para Jobim, o emprego sistemático das Forças Armadas na segurança pública não é e nem será solução para a violência e a impunidade.
Um grande problema que nós enfrentamos no Rio de Janeiro é que o assunto está dando certo, ou seja, a parceria entre o governo federal e estadual está dando muito certo. E dá muito medo porque, depois, podem os estados começar a pensar que essa é a grande solução para os seus problemas”.
Segundo Jobim, a consequência econômica disso é que os estados deixarão de investir em segurança pública estadual “para tentar transferir isso para atividades subsidiárias das Forças Armadas”. A recomendação que Jobim tem dado aos comandos militares é “vamos abrir os olhos, porque isso pode ser um grande problema no futuro”.
O ministro da Defesa assegurou que o uso das Forças Armadas nesse tipo de operação tem de ser episódico e não pode ser banalizado. “Se os resultados são bons, podem alguns pensar que a gente deve fazer isso constantemente. E isso é problema”. Informou que não existe demanda de outros estados nesse sentido, no momento, mas ele prefere se antecipar.
No estado do Rio de Janeiro, a política de segurança pública prioriza a instalação de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em comunidades até então dominadas pelo tráfico, com apoio das Forças Armadas. No Complexo do Alemão, por exemplo, o Exército assumiu o comando com 1.937 homens, limitando-se porém a três funções, conforme ressaltou o ministro: patrulhamento, revista e prisão em flagrante.
Nelson Jobim anunciou que no local será instalada em breve uma central judicial, para resolução de pequenos conflitos na região. A ideia é do Conselho Nacional de Justiça, esclareceu. A central será construída no local onde está assentado o batalhão do Exército. “É uma forma de você ter a presença do Judiciário para tentar resolver os conflitos interindividuais locais”, disse.
AGÊNCIA BRASIL

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