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O Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito, que participou da LAAD, comentou os planos de reequipamento da Força Aérea Brasileira. Entre os principais destaques, os Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANT), o programa espacial e a artilharia antiaérea. O Brigadeiro Saito comentou ainda sobre as comemorações dos 70 anos do Comando da Aeronáutica.
Revista Tecnologia e Defesa – No ano passado, a exemplo das demais Forças, a Aeronáutica apresentou ao governo o seu Plano Estratégico Militar da Aeronáutica, o PEMAER. Entre as metas constantes do documento, quais o senhor destacaria como vitais e inadiáveis?
TB SaitoO reaparelhamento é apenas um dos aspectos do planejamento futuro da Força Aérea Brasileira. Este é um dos itens do Plano Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER), um documento que resume o pensamento das necessidades da FAB para os próximos 15 anos. O PEMAER é fruto de um amplo diagnóstico, contemplando os meios operacionais e até as necessidades dos profissionais que atuam diariamente nas diversas missões da instituição. Inúmeros projetos estão em andamento para dotar a Força Aérea dos melhores recursos possíveis para a defesa do país.
Evidentemente, quando focamos especificamente na compra de novos meios aéreos, os projetos FX2 e KC-390 têm destaque. Basta lembrarmos, por exemplo, que temos a maior frota de aeronaves C-130 da América do Sul, terceira ou quarta do mundo, e o projeto do KC-390 representaria um importante passo para o futuro da aviação de transporte da FAB. O Projeto FX2 também significa a escolha do novo vetor responsável pelas principais missões de combate e, ao mesmo, que trará para a industrial nacional a possibilidade de obter know-how em áreas de ponta. Estes projetos também têm espaço para uma das prioridades do Comando da Aeronáutica, que é ampliar nossa capacitação científico-tecnológica e fortalecer a indústria aeroespacial e de defesa brasileira.
Um outro destaque é o uso de Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANTs). Esta é uma das projeções do Comando da Aeronáutica para o futuro. Estamos atentos ao cenário mundial e nossas experiências em operações conjuntas demonstram a necessidade de incorporar essas tecnologias à FAB. Em 2009, foi recebido na Base Aérea de Santa Maria uma unidade do VANT Hermes 450. Trata-se de um produto israelense no estado da arte em tecnologia embarcada, empregado rotineiramente em operações de defesa e antiterror. O Hermes 450 também conta com a experiência de mais de 170.000 mil horas no Afeganistão, voando pelas forças do Reino Unido como parte do sistema Watchkeeper. Esse avião não-tripulado já permite que militares da FAB, auxiliados por profissionais da Elbit e Aeroeletrônica, aprofundem os estudos sobre a utilização deste tipo de aeronave. Outro aspecto relevante é que os testes do Hermes 450 permitem que a FAB obtenha informações necessárias para estabelecer regras para voos deste tipo de equipamento no país e sua inserção no conjunto de normas que regulam o tráfego aéreo sob responsabilidade brasileira.
Por fim, gostaria de destacar o trabalho do DCTA no Programa Espacial Brasileiro, que acontece nas suas unidades de pesquisa, em São José dos Campos (SP), e nos Centros de Lançamento da Barreira do Inferno, em Natal (RN), e de Alcântara, no Maranhão. O DCTA continuará participando do processo de desenvolvimento e qualificação do Veículo Lançador de Satélites (VLS). Este projeto conta com um centro de lançamento cada vez mais modernizado, fundamental para alavancar o Brasil em seu processo de independência tecnológica, científica e econômica. Conhecimento é a moeda desse novo século, e a ciência, tecnologia e inovação praticadas no Comando da Aeronáutica geram, continuamente, fatos portadores de futuro.
Revista Tecnologia e Defesa – As Forças Armadas brasileiras, até o momento, não contam com sistemas de defesa antiaérea (mísseis superfície-ar) capazes de enfrentar ameaças à médias altitudes. No entanto, consta que a Força Aérea está planejando criar uma unidade especializada nesta tarefa. O senhor poderia comentar a respeito?
TB SaitoA 1a Companhia de Artilharia Antiaérea de Autodefesa (CAAAD) foi fundamental para a criação de doutrinas de emprego e para mostrar a importância da Artilharia Antiaérea para a defesa das instalações e áreas de interesse para o cumprimento da nossa missão institucional, que é a defesa da soberania do espaço aéreo brasileiro. Neste momento, temos projetos para criar novas Companhias e equipa-las com armamento de maior alcance que possa amplificar esta capacidade da FAB. Estudos estão em andamento em parceria com o Exército Brasileiro, importante parceiro neste campo, e a perspectiva é que esta aquisição aconteça tão logo seja possível.
Revista Tecnologia e Defesa – Uma questão que já se tornou redundante, mas é inevitável. Sobre o programa F-X2, o que a Força Aérea espera?
TB SaitoVão ser incorporadas à primeira linha de defesa do país tecnologias de ponta que trarão aprendizados para toda a Força Aérea Brasileira. Quando os primeiros aviões do projeto F-X2 começarem a voar no 1° Grupo de Defesa Aérea, será iniciado um amplo processo de absorção de conhecimentos que vão da parte operacional à logística, com destaque para o aprendizado previsto nos contratos de transferência de tecnologia e no treinamento das equipagens. O efetivo deverá estar pronto para um esforço que superará os ocorridos nas décadas de 70 e 80 com as aquisições dos Mirage III, Xavante, F-5 e AMX. A tropa está muito motivada pelo reconhecimento do Estado Brasileiro à missão da FAB, e aguarda para que uma decisão seja tomada.
Revista Tecnologia e Defesa – Este ano assinala o 70º aniversário de criação do então Ministério da Aeronáutica, hoje Comando da Aeronáutica. O senhor poderia comentar a respeito de tão significativo número e quais as ações que a instituição pretende implementar em comemoração?
TB SaitoSetenta anos é um marco realmente de grande significado para a Força Aérea Brasileira. Basta observar o passado para perceber como nos agigantamos no campo aeronáutico. Dos primeiros aviões da Escola de Aeronáutica, no Rio de Janeiro, aos modernos sistemas de interligação de dados das aeronaves, de sensores e de armamentos de hoje, houve um crescimento acentuado, muitas vezes surpreendente, na capacidade e no potencial da Força Aérea Brasileira.
Em 70 anos, por exemplo, a Aviação de Caça saiu dos potentes motores à combustão para os modernos jatos supersônicos, ao mesmo tempo em que a indústria aeronáutica nacional ganhou um estratégico espaço no cenário global e hoje exporta aviões brasileiros para o mundo. As mudanças e o próprio presente são resultados das decisões acertadas e das experiências de todos os homens e mulheres que participaram dessa caminhada, sobretudo daqueles que ajudaram a sinalizar o caminho.
Para celebrar este legado, devem ocorrer eventos comemorativos durante todo o ano, com destaque para o aniversário do CAN, criado como Correio Aéreo Militar em 1931, dez anos antes do Ministério da Aeronáutica. Também desenvolvemos uma campanha institucional para que todos os nossos públicos internos e externos possam não apenas celebrar, mas compreender e ressaltar a importância desses 70 anos.
Revista Tecnologia e Defesa/FAB
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