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Marinha não só mantém concursos, como investe na divulgação da carreira: relação é de apenas dois candidatos por vaga
Ione Luques
No último processo seletivo promovido pela Marinha do Brasil para o cargo de engenheiro eletrônico no Quadro Complementar de Oficiais da Armada, apenas 16 candidatos se inscreveram para concorrer às oito vagas. Ou seja, foram apenas dois candidatos por vaga. Para o cargo de engenheiro mecânico do Quadro Complementar de Oficiais Fuzileiros Navais, o cenário não foi diferente: 17 candidatos se inscreveram para 11 vagas (relação de 1,54). Para se ter uma ideia de como essa concorrência é baixa, o último concurso da Petrobras teve 405 candidatos por cada vaga. Especificamente no caso de engenheiros, no concurso de 2010, foram 68 vagas para engenharia de petróleo, mas a empresa já admitiu 260 profissionais.
Assim, a instituição decidiu investir na divulgação da carreira naval – ao que tudo indica, a baixa relação candidato/vaga se explica, em parte, pelo fato de o público desconhecer o trabalho desenvolvido, acredita o almirante Ademir Sobrinho, da Diretoria de Ensino da Marinha.
– Há muitas dúvidas sobre nosso trabalho, benefícios e, principalmente, sobre os processos de seleção. Sem conhecimento, é difícil atrair os civis para os nossos quadros.
Mas e o corte nos concursos públicos anunciados pelo governo federal para este ano? Segundo o capitão-de-corveta Robson Rodrigues Pimentel, da Divisão de Recursos Financeiros, pelo menos até agora não há previsão de suspensão dos processos de seleção da Marinha.
Além do processo seletivo de admissão às Escolas de Aprendizes-Marinheiros, nas cidades de Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Vitória (ES), cujas inscrições foram prorrogadas para até o dia 11 de março , a Marinha prepara a divulgação de novas seleções. No fim de março, saem os editais para preenchimento de vagas do Quadro Complementar e do Quadro Técnico (administração, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, direito, letras, psicologia e serviço social, entre outros).
No caso do Quadro Complementar, a seleção será para o Corpo da Armada, para profissionais graduados em ciências náuticas, e engenharia (mecânica, telecomunicações, controle e automação, computação, cartográfica e de agrimensura, eletrônica e elétrica). Para o Corpo de Fuzileiros Navais, serão recrutados engenheiros mecânicos, de telecomunicações, de controle e automação, de computação, cartográficos, eletrônicos, elétricos e civis. Já para o Corpo de Intendentes, poderão concorrer graduados em administração, ciências contábeis e economia.
Também estão previstos os editais para o Corpo de Engenheiros (engenharias aeronáutica, cartográfica, civil, de materiais, de produção, de sistemas de computação, de telecomunicações, elétrica, eletrônica, mecânica, mecatrônica, naval e química), Corpo de Saúde (médicos e dentistas, com várias especialidades, e profissionais das áreas de farmácia, psicologia, nutrição e fisioterapia, entre outros) e capelães navais. Todos são direcionados a quem tem formação superior.
A carreira naval
Além da estabilidade e do plano de carreira, jovens e profissionais que entram para a Marinha têm a oportunidade de conhecer outros estados da federação e também países, participando de cursos ou mesmo trabalhando. Os candidato aprovados no processo seletivo para as escolas de aprendiz-marinheiro, que têm como requisito o ensino fundamental completo, participam de curso de 11 meses em uma das escolas: Fortaleza, Recife, Vitória e Florianópolis. Durante o curso, eles recebem vencimento mensal de R$ 680. Após o curso de formação, saem como marinheiros e passam a ganhar R$ 1.200. Já os candidatos aprovados nos processos seletivos para quem tem graduação superior passarão por um curso de nove meses no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), no Rio de Janeiro. Durante o curso, recebem o posto de Guarda-Marinha, cuja remuneração é de R$ 5.150. Ao longo da carreira, a remuneração de oficiais e praças aumenta de acordo com promoções e cursos de aperfeiçoamento.
O GLOBO
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