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Um dos episódios mais controversos da Segunda Guerra Mundial foi o bombardeamento de Dresden, na Alemanha, entre 13 e 15 de fevereiro de 1945.
A cidade era uma das mais belas da Europa, sendo chamada de “Florença do Elba”, em referência ao rio, que corta a cidade. Sua arquitetura barroca era reconhecidamente um patrimônio cultural mundial. Bem, além disto, haviam pessoas…
Disseram os Aliados que bombardearam a cidade porque lá haviam indústrias e baterias antiaéreas. Mas outros dizem que isto é mentira, e que os objetivos eram outros.
A guerra se aproximava de seu fim, e os Aliados já haviam decidido como repartiriam a Alemanha. Não havia, realmente, necessidade de destruir a cidade. Mas Dresden ficaria na área que seria comandada pelos russos. Alguns acreditam, portanto, que um dos motivos do bombardeio, executado por americanos e ingleses, foi não deixar uma pérola arquitetônica ocidental nas mãos dos comunistas.
Mais de 1000 aviões lançaram cerca de 4 mil toneladas de explosivos na cidade, fundada ainda na Idade Média. O incêndio durou dias. Há grande controvérsia sobre o número de mortos – a média dos historiadores fala em 25 mil, atualmente, embora o número já tenha chegado a ser aventado em 300 mil (especialmente pelos neonazistas). A maioria morreu nas ruas do centro antigo, pois as ruas eram estreitas, sendo difícil escapar do fogo.
Entre seus monumentos famosos, estava a Ópera Semper, onde Richard Wagner e Richard Strauss fizeram a estréia de várias obras. Mas a construção mais notável era a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), um templo luterano de 1743. Ela resistiu às bombas e ao fogo, ao contrário da maioria dos prédios históricos, e serviu de refúgio para sobreviventes. Porém, poucos dias depois, veio ao chão.
Após o fim da guerra, a beleza de Dresden demorou para voltar a aparecer. Os comunistas, com seus ideais de igualdade, não tinham interessem em pôr imediatamente de pé prédios que representavam a nobreza. Pelo contrário, fizeram foi um monte de prédios quadrados. A população não reclamou muito – afinal, naquele momento precisavam mesmo era de um lugar para morar. Curiosamente, muitos moradores acharam estes prédios até melhores do que os que moravam, pois eram mais maiores e mais aquecidos.
Aos poucos, porém, alguns prédios históricos foram reconstruídos. A Frauenkirche, entretanto, continuava ruínas. Apenas após a unificação alemã, em 1990, surgiram instituições para angariar fundos. Em 2005, ela estava novamente reluzente – com a ajuda de um fundo britânico que colhia doações para a cidade…
Na reinauguração, a Inglaterra fez um gesto estranho, que assumia a culpa mas, ao mesmo tempo, provocava. Levaram de presente uma cruz dourada e seis metros, feita com pregos recuperados da catedral de Coventry, destruída pelos nazistas em 1940. Um dos ourives da cruz era filho de um piloto que participara do ataque a Dresden. Segundo ele, “meu pai sempre falava que o bombardeio foi moralmente um erro”.
Aproximadamente 17 mil pessoas lembraram os mortos em Dresden. (Foto: Robert Michael / AFP Photo)
Bibliografia: “Vida após a morte”, Henri W. Arthur, rev. Aventuras na História, ed. 82, maio/2010, pgs. 48-53
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