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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou nesta segunda-feira em Buenos Aires que a presidente Dilma Rousseff tenha sinalizado preferência pelos caças supersônicos F-18, da empresa Boeing, dos Estados Unidos para reequipar a Força Aérea Brasileira (FAB). 
O rumor surgiu na imprensa após reunião da presidente com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, em Brasília, na semana passada. 
— Ela (Dilma) não tomou decisão nenhuma. Isso foi a imprensa que inventou. Vou discutir isso com ela na terça-feira (15 de fevereiro) — disse Jobim. 
Segundo o ministro, seria a empresa norte-americana que estaria informando sobre a possível preferência da presidente. 
— Isso é a Boeing que está dizendo. Por interesses óbvios — afirmou. 
A discussão sobre a compra dos aviões de combate começou no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Três modelos de caça disputam a preferência do governo brasileiro. 
O Rafale, produzido pela francesa Dassault; o sueco Gripen NG, da Saab; e o F-18 Hornet, da Boeing. O governo brasileiro pretende comprar, de uma só vez, 36 unidades. Nos próximos anos, o país deve aumentar as compras até completar 120 aeronaves. 
Jobim descartou as especulações de que estaria “desprestigiado” por Dilma e disse que a relação entre os dois é “ótima”. 
— Se eu tivesse desprestigiado, não estaria aqui (em Buenos Aires a serviço do governo). 
Para o ministro, as informações são “coisa de lobistas”. O ministro voltou a afirmar que a decisão do Brasil sobre a compra dos aviões está ligada à transferência de tecnologia. 
— E (essa condição) dificulta em relação à Boeing, por causa da legislação americana (que restringe a transferência de tecnologia bélica) — disse. 
Jobim afirmou que a mesma regra valerá para a compra de equipamentos para a Marinha. 
— Tudo se vincula à disposição do país de transferir tecnologia. A regra básica é a capacitação nacional e a transferência de tecnologia. Não compramos equipamentos. Nós adquirimos pacotes tecnológicos que vêm com equipamentos — assegurou. 
Sobre a prisão, no Rio de Janeiro, de policiais acusados de envolvimento com traficantes de drogas na chamada Operação Guilhotina, Jobim declarou que eles devem ir para a cadeia. 
— Tem que prender mesmo, tem que botar na cadeia. Isso mostra que estas operações viabilizam também a identificação dos problemas internos das polícias. É importante que os inquéritos sejam feitos com rigor e, principalmente, sejam públicos. Como dizemos no Rio Grande (do Sul, estado de origem do ministro), nós temos que exemplar (risos) — disse Jobim. 
O ministro afirmou, porém, que o apoio das Forças Armadas nas operações de combate ao crime organizado no Rio é uma exceção e espera que o modelo, que envolve as UPPs (unidades de Polícia Pacificadora), não seja exportado para outros estados. 
Na visita a Buenos Aires, o ministro se reuniu com o colega argentino, Arturo Puricelli, e com o ministro do Planejamento, Julio de Vido, com quem discutiu a possibilidade de maior frequência de vôos entre o Brasil e a Argentina. Com Puricelli, afirmou Jobim, foram revisados projetos em andamento como a fabricação conjunta de um veículo militar.
AGÊNCIA BRASIL
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