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Um inquérito militar conduzido pela Corregedoria do Exército em Alagoas indiciou por homicídio culposo quatro instrutores que comandavam o treinamento que resultou na morte do aspirante Lemysson Rodrigo dos Santos, de 19 anos, ocorrida em outubro do ano passado.

De acordo com o parecer da instituição, os instrutores não socorreram a vítima de maneira adequada. No momento do treinamento não havia uma ambulância e o jovem foi transportado em um caminhão do exército em estado grave após um afogamento em um rio em Ipioca, litoral norte da capital.

Álbum da família
Álbum da família
Lemysson em treinamento no Exército Brasileiro
O acidente ocorreu quando Lemysson, que fazia o curso de formação de oficiais do Exército de Alagoas, ao tentar atravessar um rio situado na fazenda Bamburral. Os quatro integrantes da corporação foram indiciados por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).
Apesar de o inquérito já ter sido encaminhado ao Supremo Tribunal Militar, não há prazo para que os quatro instrutores sejam julgados.
Para a família a morte do estudante poderia ter sido evitada, não fosse a negligência cometida pelos instrutores, que não teriam oferecido sequer os equipamentos essenciais para um treinamento daquele porte (travessia de um córrego de aproximadamente 3,5m de profundidade).
Os nomes dos instrutores não foram divulgados.
Aluno conta como aconteceu
Um dos alunos do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, do Exército Brasileiro, que preferiu não se identificar contou ao Primeira Edição o que aconteceu no dia da morte do estudante.
Segundo relatos, após realizarem uma atividade, que terminou por volta das 23h do dia 06 de outubro, os alunos foram dormir. Por volta das 2h da madrugada foram acordados com a missão de encontrarem os oficiais do outro lado do rio. Em dado momento, o grupo, que estava sozinho, se deparou com o rio Bamburral. Dos 20, apenas quatro entraram no rio. Dois deles se afogaram. Um conseguiu sair, o outro, Lemysson Rodrigo, não. 
O aluno contou que Lemysson segurava um fuzil e, mesmo se afogando, não quis soltá-lo. “Era a última prova e perder um fuzil poderia ser razão para desclassificá-lo. Um colega que foi ajudá-lo também estava com um fuzil e preferiu continuar segurando o fuzil”, disse a fonte que acrescentou contando que o jovem se afogou e desapareceu do raio de visão do grupo. 
Cerca de 20 minutos depois o corpo de Lemysson apareceu. Mas não havia aparato algum para prestar os primeiros socorros. “Só havia no local uma ambulância velha que só tem uma maca”. 
Ainda segundo a fonte, os oficiais só chegaram ao local depois de uma hora do afogamento. “Foi quando ele foi levado para a Santa Casa de Misericórdia de Maceió, mas já chegou ao hospital sem vida”.
PRIMEIRA EDIÇÃO

Comento:
A julgar pela conclusão do IPM, o depoimento do aluno é verdadeiro. Lamentavelmente, demonstrações de despreparo, irresponsabilidade e incompetência como essa ainda acontecem num Exército que quer ser profissional. Nada irá trazer o menino de volta, mas esses irresponsáveis precisam ser banidos da Força. Além de mofar na cadeia, claro.


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