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Passado mais de um quarto de século do fim da ditadura militar, o Brasil ainda engasga no debate sobre suas Forças Armadas.

Igor Gielow
O país foi governado 16 anos por opositores do regime de 64 e tem hoje uma ex-presa política no Planalto. Fora alguns anacrônicos círculos de oficiais de pijama e simpatizantes, não há nada parecido com ranger de dentes antidemocrático. Mesmo que houvesse, a viabilidade de quarteladas hoje é nula.
Tudo resolvido, certo? Mais ou menos. O episódio da frase descabida do respeitado generalElito é revelador de como o percurso pode ser acidentado.
Seja como for, o histrionismo antiesquerdista e o revanchismo que nega o caráter antidemocrático da luta armada são exceções. Com sorte, a moderação que deu o tom até aqui seguirá firme. O Brasil precisa da Comissão da Verdade, mas pode dispensar versões locais da Casa do Terror de Budapeste.
Nesse fascinante museu da miséria das ditaduras fascista e comunista na Hungria, há centenas de fichas com nome e sobrenome das pessoas que colaboraram com a repressão, gente cujos descendentes estão andando nas ruas. O resultado, para dizer o mínimo, é dúbio.
Enquanto isso, questões mais concretas se impõem. Como a Folha mostrou ontem, o Exército tem seu plano para tentar conter o tráfico de armas nas fronteiras. A FAB espera seus caças, a Marinha já ganhou submarinos e espera levar navios patrulha.
Todos são planos na casa dos bilhões de reais. Quando quase metade do orçamento militar é para inativos e pensionistas, é uma incógnita o comprometimento do poder civil com eles. Jobim consolidou a Defesa, mas não tem carta branca.
Com o cenário econômico nebuloso, prioridade ao combate à pobreza e a revisão espinhosa do passado à vista, será interessante ver como Dilma Rousseff lidará com as demandas de seus antigos algozes. 
Força Aérea Brasileira / Folha de São Paulo/Forças Terrestres
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