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História de Natal: jovens do “Batalhão da Cidadania” de Belém são homenageados
“Eu pensei que fosse ensinar. Aprendi muito.”
SO Wilkens Siroteau (FAB)

O que você quer ser quando crescer? Quando o grupo ouve essa pergunta, alguns deles têm a resposta na ponta da língua: – “quero ser soldado da Aeronáutica!” Existem outros sonhos para eles. “Vou ser médica”, “engenheiro”… “Quero ser Suboficial”. Tal e qual o Suboficial da FAB Wilkens Siroteau, um dos professores, ídolos e exemplo para os 150 jovens de 8 a 15 anos de idade que integram o “Batalhão da Cidadania”, projeto social em Belém (PA) ligado ao Programa Forças no Esporte, dos Ministérios da Defesa e dos Esportes. Na sexta-feira, dia 17/12, os meninos e meninas participaram de uma confraternização de Natal com o efetivo do Primeiro Comando Aéreo Regional (I COMAR). Cada um dos jovens, todos moradores de comunidade carente no bairro da Marambaia, teve uma surpresa. Cada um dos adultos assistiu a sorrisos que não se apagam da memória.
Em respeito à situação de vulnerabilidade social em que se encontram, os nomes desses personagens da vida real estão aqui substituídos. Substituir, aliás, é o que fez Jorge, de 8 anos, que ganhou um tênis de presente. Deixou a “antiga” sandália, o único calçado que possuía, como reserva para outros momentos. Os presentes foram dados por militares e civis do I COMAR que se uniram para homenagear todos os jovens do projeto depois de mais um ano de atividades. Esporte, disciplina, ordem unida, civismo e cidadania integram as aulas deles.
Na confraternização, ganharam bolas, bonecas, bicicletas, aplausos, abraços… “Foi maravilhoso. Não sei dizer o que estou sentindo”, afirmou Marcos, que vive seus últimos dias de Batalhão da Cidadania para se transformar em um soldado de verdade. Depois de seleção, ele foi incorporado e se apresenta em janeiro como militar da FAB. “Minha vida foi de dificuldades muito grandes. Foi a partir daqui que se abriram meus caminhos”.
As histórias desses jovens misturam problemas de toda ordem. “Há relatos de proximidade com drogas e criminalidade. Eu pensei que fosse ensinar. Aprendi muito”, defende o Suboficial Wilkens. Entre os aprendizados, o da solidariedade. “Uma aluna de nove anos me disse que, numa casa com seis pessoas, havia dinheiro para comprar apenas cinco pães. Em geral, ela contava que cedia o pão dela”. Para o chefe do projeto, Tenente de Infantaria Glauber Soares, o Batalhão da Cidadania aproxima o quartel das comunidades vizinhas. “Isso é muito importante e gratificante”.
No fim da confraternização, André, de 12, empurrava a bicicleta. “Não sei andar. É a primeira da minha vida. É linda”. Vanessa, de 10, ainda não havia tirado o papel de presente da caixa. Não tem curiosidade? “Tenho sim. É que quero abrir em casa com a minha família”. Antes de subir no ônibus da FAB e voltar para casa, as crianças se divertiram com os balões de festa. Ao final, estouraram. Como se fossem os fogos de artifício da noite de Natal. Abraçaram-se, fizeram fila e marcharam. Como se tudo estivesse apenas começando. Para uma amiga, Joana, de 11, com uma boneca na mão, lamentava: “acho que eu não falei obrigado pra todo mundo”. Como se precisasse… O sorriso dizia.
AGÊNCIA DA FORÇA AÉREA
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