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Policiais e militares que participaram de ocupações viram fetiche carioca
“Os homens do Bope e do Exército fazem muito sucesso na comunidade. A mulherada adora. As meninas ficam dando em cima deles, na maior cara de pau. Pedem até telefone”
Alícia Uchôa e Thamine Leta
Em tempos de “Tropa de Elite” batendo recorde de bilheteria e das ocupações na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, os homens das polícias e das Forças Armadas viraram, mais do que celebridades, fetiche do imaginário feminino. Não era para menos.
Depois de uma semana sendo campeões de audiência nas principais emissoras de TV do país, já tem stripper fazendo show com algemas e armas (de brinquedo, claro) e mulher pedindo para ser ‘pacificada’ pelas beldades, em referência às UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) espalhadas por comunidades da cidade.
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No Clube do Batom, na Zona Sul, os shows tem até simulação de uma operação policial. “A ideia foi coisa minha. Eles estavam em alta e era o momento certo de botar o Bope na história. No show, ele empunha a arma, simula uma operação, revista as mulheres e as algema no palco”, conta Paula Blower, sócia do clube.
A coisa é tão real que o protagonista do show, a princípio, não queria aceitar a nova missão. Tinha receio de ser pego com apetrechos tão semelhantes aos reais no carro e ter problemas, seja com a polícia ou com bandidos.
Farda e sensação de segurança
Entre as mulheres, a opinião é unânime: a farda e a sensação de segurança fazem desses homens o fetiche do momento. “A farda é uma fantasia. É um sonho de consumo, né? Eu pediria para meu namorado usar uma farda, mas não no carnaval, se não teria muita mulher pulando em cima”, contou a dona de casa Luana de Paula.
A administradora Camila Cardoso acredita que a farda é sinônimo de poder. “Mostra um certo poder, por isso pode ser que esteja na moda. E, como a violência está muito grande, principalmente no Rio de Janeiro, as pessoas vêem neles uma libertação”, disse.
Para o fisioterapeuta Marcio Antunes, as fardas despertam fantasias. “O homem de farda aumenta a libido da mulher, desperta fantasias, é uma questão de poder e proteção, e acho que a mulher gosta disso”, explica.
Moradora do Conjunto de Favelas do Alemão, a estudante Amanda Gomes, de 16 anos, contou que, depois da ocupação, a rotina do local não foi a mesma. “Os homens do Bope e do Exército fazem muito sucesso na comunidade. A mulherada adora. As meninas ficam dando em cima deles, na maior cara de pau. Pedem até telefone”, disse.
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