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ELIO GASPARI
Está chegando às livrarias uma raridade, a edição fac-similar das 34 edições do jornal O Cruzeiro do Sul, publicado entre janeiro e maio de 1945, pela tropa do quartel-general da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Esse acervo ficou entre os guardados do marechal Mascarenhas de Moraes, que comandava a tropa e morreu em 1968. É a única coleção completa conhecida. O jornal tinha quatro páginas, tiragem de 3 mil exemplares e saía duas vezes por semana, graças ao cabo José Cesar Borba, que às vezes cobria despesas da publicação. Além de textos de pracinhas, trazia artigos de Joel Silveira e Rubem Braga, bem como desenhos do cabo Carlos Scliar. A edição, da Leo Christiano Editorial e da FGV, foi patrocinada pela Poupex.
O Cruzeiro do Sul de 11 de fevereiro de 1945 traz uma breve referência a um fato pouco conhecido da história da FEB, a condenação à morte, pela Justiça Militar que acompanhava a tropa, de dois soldados que estupraram jovens italianas em Granaglione. Mais tarde a sentença foi comutada.
O jornal começou a circular quando os americanos e os ingleses começaram a avançar nas Ardenas, e os russos chegaram às portas da Varsóvia. A fatura estava perto de ser liquidada. Na frente italiana, em fevereiro, a FEB tomou a posição de Monte Castello e avançou em direção ao Norte. Num sinal dos tempos, o ditador Getulio Vargas raramente é mencionado. Em compensação, um artigo do soldado Jacob Gorender falava “do direito dos povos a escolher livremente seus governos”. Sua última manchete é a glória de um jornal que deixará de circular: “Morto Adolf Hitler”. Na mesma edição, noticiava que a FEB aprisionara dois generais e 11 mil soldados alemães. Foram 20.573.
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