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Marinha está pronta para mais uma batalha
Antônio Werneck e Jorge Antônio Barros

Caros, ágeis, com poder de fogo impressionante e usados no Iraque pelo Exército americano, os blindados da Marinha brasileira foram fundamentais na operação de tomada da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. As imagens dos carros de combate dos fuzileiros navais avançando, com facilidade, sobre barreiras do tráfico transformaram o combate quase num treinamento. Na verdade, foi um equipamento miúdo e capaz de passar despercebido que fez toda a diferença: um rádio Motorola modelo EP 450. Pequeno e barato, ele driblou uma das grandes dificuldades que os policiais do Rio sempre enfrentaram na região: a comunicação.
“Os fuzileiros navais entram em qualquer lugar. Na Rocinha, no Alemão, na França, na Polônia…”
O detalhe foi revelado pelo almirante de esquadra Alvaro Augusto Dias Monteiro, comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, e pelo vice-almirante Carlos Alfredo Vicente Leitão, comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, em entrevista ao GLOBO. Acostumados a cumprir missões, os dois garantiram que, se tiverem autorização para o emprego da força, os fuzileiros navais podem entrar em qualquer lugar, até mesmo na Favela da Rocinha.Comandante conta sobre operação no Alemão
– Os fuzileiros navais entram em qualquer lugar. Na Rocinha, no Alemão, na França, na Polônia… Nós cumprimos missões. Se elas chegarem, pode ter certeza de que nós as cumpriremos. Estamos sempre prontos – afirmou o almirante Monteiro.
O almirante Monteiro e o vice-almirante Leitão disseram que a decisão de convocá-los para contribuir com logística foi tomada na quarta-feira, dia 24 de novembro, à tarde, quando a cúpula da segurança informou que uma equipe do Bope estava encurralada na Vila Cruzeiro, sob fogo pesado dos criminosos.
– Eu estava numa missão de adestramento em Itaoca, município de Itapemirim, no Espírito Santo. Por volta das 17h30m, recebi um comunicado dizendo que estava autorizado a prestar apoio logístico à Secretaria de Segurança do Rio. Rapidamente, ali mesmo, definimos o emprego dos blindados e, às 5h de quinta-feira, já estava tudo pronto, esperando os soldados do Bope embarcarem – contou o vice-almirante Leitão.
O almirante Monteiro lembrou que os bandidos foram surpreendidos com a utilização de blindados, que chegam a custar até US$ 3,5 milhões cada (R$ 5,9 milhões) e são os mais modernos do mundo.
– Alguns dos blindados que usamos no Alemão podem passar, em terra, por diversos obstáculos e navegar com facilidade em mar, com ondas de até um metro – garantiu o almirante Monteiro.
O GLOBO
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