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Haiti serve de modelo no Rio. Membros das Forças Armadas revelam táticas que missão de paz pode aplicar em solo fluminense – 
LÉO GERCHMANN
Dizer que o Haiti é aqui parece um clichê dos mais batidos, mas, no caso do Rio de Janeiro, pode vir a se tratar de uma ótima notícia.
Significa que o apaziguamento dos nichos de violência haitianos nos últimos seis anos, pela Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (Minustah), da qual o Brasil é protagonista, serve de laboratório para os morros cariocas, com a vantagem de o combate no Rio ser mais fácil do que em terra estrangeira e desconhecida.
– Aqui no Rio será mais fácil. A população está a nosso favor. Lá, nos viam com desconfiança. O povo, lá, é fechado. Dentro de um ano, as pessoas vão circular tranquilas pelas ruas dos nossos morros – diz o fuzileiro naval Guilherme Bueno, que participa da ação no Rio e serviu no Haiti entre junho de 2009 e janeiro de 2010.
O que é necessário para que se atinja um quadro tão promissor? Bueno conta que há duas etapas – a das armas e a de ajudar as pessoas:
– A gente “adotava” criancinhas no Haiti, ajudamos os adultos. Conquistamos as pessoas.
Outro fuzileiro naval que passou pelo Haiti e está no Rio, Gilmar da Silva, resume:
– É simples. Temos de transformar a ação militar em ação humanitária.
É essa a opinião de Ricardo Seitenfus, gaúcho e representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti. Falando de Porto Príncipe (capital do Haiti), Seitenfus é um entusiasta do uso da experiência haitiana como “laboratório” para o Rio:
– A experiência mostra: não basta soldados entrarem para manter a ordem. É necessário um jeito de fazer, com ações sociais. Além da força, melhorar a saúde, o ensino, o abastecimento de água, rede elétrica. Deve-se criar espírito comunitário na região.
Seitenfus usa uma expressão que considera basilar: “Soldado multidimensional”. Ou seja, que saiba ir além da conquista. Que saiba mantê-la.
– A força deve ser acompanhada da presença do Estado. É uma coisa nova, que pode ser vista no bairro de Bel-Air, favela próxima ao palácio presidencial e se tornou um exemplo. Bel-Air é um cartão de visitas brasileiro, uma encubadora para o Rio.
O fuzileiro naval Bueno confirma: Bel-Air era intransitável antes da ação brasileira. Hoje, as pessoas transitam tranquilamente por lá. O general Fernando Sardemberg estima em 70% a parcela do contingente que está no Rio e que já esteve no Haiti:
– Lá, o Brasil pacificou as favelas mais violentas, redutos de gangues que aterrorizavam a população, extorquiam, sequestravam e assassinavam.
Em Porto Príncipe, não há morros. As gangues tinham mais facilidade de se unir. Os militares tinham de montar bases avançadas no território inóspito, a partir de onde conquistavam apoio da população e irradiavam influência. Foram essas bases avançadas que inspiraram, segundo Sardemberg, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs):
– Temos de aproveitar esse know-how e consolidar a conquista no Rio.
ZH

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA – As autoridades esquecem que, no Haiti, as tropas brasileiras tem o respaldo de leis da ONU que garantem autoridade policial e ações de contenção. Aqui, as Forças Armadas só deveriam intervir na segurança pública amparada por leis semelhantes, sob pena de criar um Estado Policial e contaminar os militares federais com os vícios que o crime tenta impor a quem os combate.
Postado por JORGE BENGOCHEA(blog ORDEM, JUSTIÇA E LIBERDADE)
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