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Ex-soldados de elite entre os procurados
Ao menos cinco ex-militares, homens da Brigada Paraquedista ligados ao crime organizado, estavam no alto da lista dos procurados na ocupação do Complexo do Alemão. Logo nas primeiras horas o comando conjunto descobriu que só um, Hudson Leandro dos Santos, morava na favela. Os outros teriam endereço em bairros da zona norte. Todos estão desaparecidos. Eram chamados de ‘bonde dos PQD’, ou a turma dos paraquedistas.
A importância do grupo ficou evidente quando o ex-cabo Jorge Luis de Oliveira foi preso, em setembro. Ele revelou que os instrutores, vários deles desertores, preparavam a tropa do tráfico para usar técnicas de guerrilha – incêndio de carros e construção de túneis entre casas do morro para criar rotas de fuga, além de ensaios de tiro de precisão e condicionamento físico. O teste de admissão no quadro armado implicava provas como 55 flexões de braço, subida de corda vertical de 6 metros e corrida de 3,5 km em 12 minutos. O próprio Jorge cuidava do preparo com sessões de boxe, judô e caratê, mas só para os homens da segurança de Francisco Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha. Cada um dos ex-militares recebe de R$ 5 mil a R$ 7 mil mensais pela consultoria e vantagens como carro zero para uso pessoal. Essa condição é a determinante no recrutamento. Depois de cinco a sete anos, um cabo paraquedista tem de sair da Brigada e recebe uma pequena indenização. ‘É um profissional treinado, sem emprego, orientação ou apoio psicológico’, diz um suboficial ouvido pelo Estado. Hoje, ele trabalha como segurança em um shopping.
ESTADÃO
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