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O delegado Fernando Veloso, titular da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), no Rio de Janeiro, colheu nesta sexta-feira (19) o depoimento dos três militares envolvidos na agressão a um estudante no parque Garota de Ipanema, domingo passado (14), após a Parada Gay.
O terceiro sargento Ivanildo Ulisses Gervásio, que confessou à Justiça Militar ter sido o autor do disparo, se reservou o direito de permanecer calado.
Veloso informou que o inquérito policial tratará apenas da conduta do autor do disparo. Ele assegura que indiciará o militar por tentativa de homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e sem chance de defesa), cuja pena pode chegar a 20 anos.
Os outros dois militares envolvidos serão julgados pela Justiça Militar. Para o delegado, o indicamento independe do fato do disparo ter sido acidental. Veloso sustenta que somente o fato de se manusear a arma apontada para alguém mostra que o atirador teria assumido o risco de matar.
“De uma forma ou de outra, ainda que a gente fique convencido de que esse disparo foi acidental, a maneira como ele (o autor do disparo) descreveu o fato, ou seja, ele tentou alimentar a arma na frente da vítima, e apontando para a vítima, isso configura dolo eventual”, argumentou o delegado.
O titular da 14ª DP tem 30 dias para concluir o inquérito. Sobre a motivação ter sido homofóbica, o delegado disse que tal questão será analisada somente pela Justiça Militar. “Homofobia não configura injúria qualificada”, explicou. “É provável que ele responda por esses crimes (injúria), mas pelo inquérito militar.”
Histórico
Ontem, o delegado informou que as testemunhas foram unânimes ao apontar o suposto autor do disparo que atingiu o estudante de 19 anos no parque Garota de Ipanema. O jovem, que estava com um grupo de homossexuais, foi baleado na barriga e ofendido verbalmente. Além da vítima, outras quatro testemunhas participaram do reconhecimento.
Segundo o delegado, os militares admitiram que saíram à revelia do comando com o objetivo de fazer as pessoas saírem do parque. “Durante a abordagem da vítima, o autor se sentiu afrontado pela conduta do rapaz e achou que ele deveria simplesmente obedecer ao comando, e não se impor. Por conta disso, acabou ocorrendo aquele disparo”, disse Veloso. “A conduta dos militares é reprovável, a motivação é homofóbica. Não há dúvida quanto a isso”, declarou o titular da 14ª DP.
Ofensas
Um amigo do rapaz baleado também prestou depoimento ontem. “Eu vi eles agredindo meu amigo. Chamaram de ‘seu v.”, falaram ‘você é uma vergonha para sua família’, ‘v. tem que morrer”, relatou H., que estava com o grupo de homossexuais no momento das supostas agressões.
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