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“Falar que é espontânea uma manifestação que solda contêineres numa ponte seria um pouco de exagero. Não há bem uma espontaneidade. Há sim uma manipulação de grupos radicais e a coisa mais fácil que há é apontar o estrangeiro como responsável por 
qualquer mazela que pode acontecer.”
(General Paul Cruz)
Comandante das Forças Militares da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), o general brasileiro Luis Guilherme Paul Cruz ( ouça ) afirmou nesta sexta-feira que os protestos e atos violentos em algumas cidades do país, como Cap Haitien e na própria capital, Porto Príncipe, são orquestrados por pessoas com motivações políticas às vésperas das eleições gerais marcadas para o dia 28.
Essas pessoas estariam se aproveitando das várias situações de dificuldade pelas quais passa a população do Haiti desde que, em janeiro, um terremoto praticamente destruiu a capital do país – matando cerca de 300 mil – para incentivar manifestações de todos os tipos.
Depois do terremoto, o Haiti foi parcialmente atingido pelo furacão Tomás, provocando interrupção de importantes rodovias, e por um surto de cólera. Ainda assim, disse o general, as eleições estão mantidas e a situação, tanto na capital quanto em Cap Haitien, onde o comércio e as escolas chegaram a ser fechados por conta dos protestos, já voltou à normalidade.
Na capital, o clima na sexta era de relativa calma, mas alguns jovens queimaram pneus e atiraram pedras na polícia perto de edifícios do governo. Cruz acredita que manifestações em período eleitoral são normais em vários países, e garantiu que as forças da ONU continuarão a garantir a segurança na região.
– Os protestos têm como pano de fundo as eleições. Eu diria que é a movimentação dos diversos atores envolvidos com as eleições, alguns que desejam as eleições e mobilizam suas campanhas e outros que inclusive não desejam que as eleições ocorram dentro da normalidade.
A oposição protesta contra o governo. E onde há escassez de tudo, há motivos para protestar de todas as formas – diz o general Paul Cruz. 
– Falar que é espontâneo uma manifestação que solda contêineres numa ponte seria um pouco de exagero. Não há bem uma espontaneidade. Há sim uma manipulação de grupos radicais e a coisa mais fácil que há é apontar o estrangeiro como responsável por qualquer mazela que pode acontecer.
O general brasileiro se refere a episódios de violência em Cap Haitien, no norte do país, onde veículos da ONU foram apedrejados, e sobre os boatos, iniciados na cidade de Mirebalais, onde fica o Batalhão do Nepal, de que foram soldados nepaleses que trouxeram o surto de cólera para o país – informação negada pela ONU.Protestos estariam também ligados a data histórica
As manifestações também estariam ligadas à data da Batalha de Vertières, a última luta pela independência do país, comemorada em 18 de novembro e tradicional momento para manifestações no Haiti.
O coronel Carlos Aversa, assistente do Comando das Forças Militares da Minustah, afirma (ouça) que a população haitiana está assustada com a epidemia, e a desinformação está ajudando a piorar o quadro, já que muitas pessoas estão isolando os suspeitos de cólera com medo de contágio, o que só reduz as chances de recuperação dos doentes extremamente desidratados.
Segundo ele, os protestos de quinta-feira em Porto Príncipe são, para muitos, a única forma de serem ouvidos.
– Na capital, é a forma do manifestante ser visto e ouvido. Ele reclama de falta de ação do governo, da falta de empregos, da falta de escola para o filho e da falta de hospital – disse.
O GLOBO
DICA DO BLOG:
Não deixe de ouvir a entrevista do coronel Anversa à Rádio Globo. São 20 minutos de informações muito esclarecedoras sobra a situação que vive o Haiti.
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