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O jornalista Túlio Milman, de Zero Hora, está no Haiti para conferir o trabalho do Exército Brasileiro. Esta é a matéria de hoje. Confira.
Tulio Milman 
A terra não treme, mas é como se as ondas de choque ainda se fizessem sentir. Cerca de 1 milhão de desabrigados se amontoam em barracas. Passados nove meses do terremoto de 12 de janeiro, os escombros são tantos, que ofuscam o esforço da reconstrução. Ele existe. Só que recompor o cenário anterior à catástrofe equivale a sair do negativo para o zero.
Cité Soleil, junto a Porto Príncipe, é uma das maiores favelas das Américas. Conforme comprovou Zero Hora nesta reportagem em que acompanha o Exército Brasileiro, cerca de 300 mil pessoas sobrevivem entre a lama, os mosquitos, os porcos e os rios de lixo. Já era assim antes do terremoto.
Em 2008, o país foi atingido por um furacão. Em janeiro deste ano, houve aproximadamente 250 mil mortos no dia em que o país terminou de desmoronar. Recomeçar é um verbo tantas vezes conjugado que perdeu seu resto de força.
A médica Joanine Kettner, 35 anos, de Santo Ângelo, e a técnica em enfermagem Renata Dalosto Bicca, 29 anos, de Santiago, são as duas únicas mulheres gaúchas na Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti, que integram o seleto grupo de 12 mulheres entre mais de 2,2 mil homens brasileiros em Porto Príncipe. Para dar sua contribuição pessoal ao país caribenho, estão há três meses longe de casa.
Mas nem toda a ajuda surte efeito. Cálculos internacionais indicam que menos de 10% do dinheiro prometido por governos e celebridades de Hollywood chegou ao Haiti. E o que chegou virou, em parte, alimento. Da corrupção. A outra fatia é imobilizada pelo colapso institucional do país. Em muitos casos, não há caminhos seguros para levar os dólares da fonte até a concretização dos projetos.
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