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Josie Jeronimo
Fóruns incendiados, assassinato de candidatos, polícia local sem isenção partidária, roubo de urnas e coação a juízes eleitorais. A tranquilidade aparente das eleições nas grandes capitais esconde o cenário de guerrilha que dezenas de cidades registram durante a disputa eleitoral. Com efetivo policial insuficiente e presença do crime organizado, as eleições presidenciais deste ano, em mais de 150 municípios, só se realizarão com a presença de tropas federais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já autorizou o envio de soldados do Exército para, pelo menos, 129 cidades.
De acordo com as requisições enviadas ao TSE, a Justiça Eleitoral do Pará foi a que mais solicitou a presença do Exército. Em 103 de suas 143 localidades haverá reforço armado. Nos municípios de Vigia e Conceição do Araguaia, na última eleição, um juiz precisou de escolta federal para deixar o fórum após a votação. Em Curuçá, há histórico de estradas bloqueadas e tentativas de impedir mesários de assumir os postos durante a votação. Nem mesmo Belém tem segurança garantida. Justificativa enviada ao TSE alega registro de “arrastão de bandidos” em uma das zonas.
Na maioria dessas cidades, o clima de “terra sem lei” predominaria sem a presença do Exército. Em Ourém e Santa Luzia do Pará, delegacias foram invadidas para liberar candidatos presos por crimes eleitorais. Os tumultos e badernas são ocorrências leves perto das chacinas. Ao menos três postulantes foram assassinados na última eleição. Em Óbidos, um candidato foi alvejado com tiros de espingarda. O vereador mais votado de Tomé-Açu em 2008, Raimundo Sampaio (PRB), foi assassinado logo após a eleição. Em Rio Maria, o candidato a prefeito Agemiro Gomes (PMDB) foi executado por motivações eleitorais. Este ano, a preocupação é com Tracuateua. O município realizará novas eleições em dezembro e o prefeito em exercício, Nelson Pinheiro (PTB), não é bem aceito pela população. O temor dos juízes eleitorais é que a tensão contamine o pleito de outubro.
No Rio Grande do Norte, 20 municípios terão apoio do Exército. Em São José de Mipibu, de acordo com o TRE, há indícios de “comprometimento político-eleitoral” da PM na localidade. O assassinato do ex-prefeito de Campo Grande (RN) Antônio Veras também deixou a Justiça em alerta. Ele foi executado com 200 tiros em março deste ano.

Tribos
As ocorrências criminosas são as principais causas dos pedidos das tropas federais, mas conflitos indígenas também mobilizam o Exército. Em Tocantins, três das noves cidades que têm aldeias receberão integrantes das tropas federais. Nos locais há registro de interdição de estradas por índios que protestam contra políticas sociais. No Amapá, o município de Oiapoque pediu reforço, pois não tem efetivo suficiente. A localidade faz fronteira com a Guiana Francesa. Municípios de Rondônia também solicitaram presença das tropas, mas o TRE não informou a justificativa das requisições “por ser uma questão de segurança das urnas e dos agentes envolvidos”. 

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