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Michel Castellar

(Foto: Anderson Sá)

O que leva um atleta de destaque, independente financeiramente e com toda a infraestrutura para treinar, querer ir para o Exército? A reposta é dada por um dos principais jogadores da Seleção Brasileira de basquete, o ala-armador Leandrinho:
– A vontade de servir ao meu país e a admiração pelos militares.
Leandrinho quer aproveitar a oportunidade oferecida pelas forças armadas aos atletas de alto rendimento para iniciar a carreira militar e disputar os Jogos Mundiais Rio 2011. O jogador já conversou com o chefe de equipe da Seleção de basquete militar, coronel Pitaluga.
– Quem está negociando tudo é meu irmão, o Artur, que por 25 anos foi militar. Temos algumas pendências para resolver, mas acho que vai dar tudo certo – afirmou Leandrinho, de 27 anos.
Artur, de 49 anos, foi quem inspirou Leandrinho. Desde pequeno, o atleta, que ao fim da temporada 2009/10 trocou o Phoenix Suns pelo Toronto Raptors, na NBA, queria ser militar. Já o irmão desejava ser atleta.
– Ao ter a idade para servir, meu irmão não deixou. Ele viu que eu não podia largar a minha carreira, apesar de querer muito servir – lembrou Leandrinho, que ainda teve outro irmão militar, Marcelo, de 37 anos.
Para realizar o sonho militar, Leandrinho precisa resolver quatro pontos: conciliar os calendários; saber quem vai pagar um seguro exigido pela NBA para os atletas participarem de outras competições; saber se o Exército flexibilizará algumas exigências; e ver se a liga americana não colocará obstáculos.

COM A PALAVRA: ARTUR BARBOSA
Primeiro-sargento do Exército e irmão de Leandrinho
Leandrinho sempre viveu dentro do quartel comigo. Andávamos para cima e para baixo. Era até engraçado, porque ele calçava meu coturno e as pernas dele sumiam dentro dele. E ficava igual a um fantoche andando de lá para cá.
Assim que ele começou no basquete, eu o botei para subir morros, fazer os exercícios de cordas, para ganhar força, velocidade e aumentar a habilidade dele. Tudo depois do expediente. Ele reclamava, mas fazia.
Mas ao chegar o momento de ele servir, eu mesmo falei: pelo amor de Deus continue nisso aí (o basquete) que vai lhe dar futuro. Quem sabe, mais adiante, você não consegue ingressar no Exército?
E essa vontade ficou entalada em Leandrinho. Quando as forças armadas abriram as portas para os atletas de alto rendimento, brinquei com ele e disse que era a sua chance. Ele levou tão a sério que me pediu para agilizar tudo e comecei a conversar com o Exército.
Esse desejo vem do coração, é puro, não tem explicação nem interesse. É um amor antigo, daqueles que a gente não esquece.


EXÉERCITO TEM PROJETO PARA RECEBER LEANDRINHO

Para não ocorrer favorecimento a Leandrinho, o Exército lançará um novo edital, com cerca de dez vagas, para recrutar atletas. A seleção será semelhante às já realizadas para a entrada de outros desportistas de alto rendimento nas forças armadas. A intenção é a de fazê-la em até dois meses.
Presidente da Comissão de Desporto das Forças Armadas e chefe da delegação brasileira nos Jogos Rio 2011, o vice-almirante Bernardo Gamboa falou sobre o caso de Leandrinho.
– Esse amor dele nos deixa satisfeitos. Por isso, estudamos a melhor maneira de como fazermos, sem haver privilégios. Podemos flexibilizar algumas exigências. Mas existe um mínimo a ser cumprido – disse o almirante.
Presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes disse não ver problemas para Leandrinho atuar nos Jogos Rio 2011. Mas frisou ser necessário verificar se não haverá conflito com a programação da Seleção.

LANCENET

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