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Missão no Haiti precisa ter longa duração

Chefe do PNUD Brasil diz que ações da ONU bem-sucedidas, como as de Camboja e Namíbia, duraram o suficiente para contornar a crise

O sucesso da missão de paz no Haiti, liderada pelo Brasil, vai depender de sua durabilidade, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo o representante da ONU e do PNUD no Brasil, Carlos Lopes, recém-nomeado diretor político da Secretaria Geral das Nações Unidas em Nova York. Segundo Lopes, um erro comum em missões de paz é encerrá-las em pouco tempo.
“É um erro se pensar que vai haver uma panacéia que vai resolver os problemas que levaram determinada sociedade a uma crise tão profunda. Isso é verdade não só para o Haiti, mas também para todas as missões para a manutenção da paz”, afirmou Lopes na entrevista.
O representante do PNUD Brasil lembra ainda que as missões da ONU bem-sucedidas, como na Namíbia, Camboja, Moçambique e Timor Leste, “não terminaram após alguns ganhos, mas continuam até conseguir uma consolidação total com relação à governança, permitindo ao país sair completamente da crise”.
A MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) é formada por 6,2 mil oficiais enviados por 19 países e liderados pelo Brasil. A missão tem como objetivo combater a insegurança no país após a crise que forçou a saída do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004. No final da última semana, o chefe diplomático da missão, Juan Gabriel Valdés, avaliou que a operação deve ser mantida pelo menos até a próxima legislatura, cujo início está previsto para fevereiro de 2006. “Pessoalmente, penso que a missão ONU deveria permanecer no país durante o próximo governo”, disse Valdés.
Na entrevista à Folha, Carlos Lopes abordou outro tema diretamente ligado ao interesse brasileiro: a reforma do Conselho de Segurança. Segundo ele, a reforma está avançando, mas num ritmo mais lento do que se esperava. “Mesmo os EUA não negam a necessidade de alargamento do CS. Pode não haver acordo sobre o número, sobre como, mas ninguém nega que esse alargamento é necessário”, destacou Lopes.
Além das missões de paz duradouras, Lopes disse que uma das medidas fundamentais para a redução dos conflitos é a reforma no Conselho de Segurança (CS). “É evidente que o fato de ter havido uma iniciativa do secretário-geral (Kofi Annan), primeiro com a criação de um conselho de sábios e depois com a publicação do seu relatório, em que o Conselho de Segurança é considerado uma chave fundamental para democratizar o sistema de decisão da organização”, disse.

PNUD
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atividades, o PNUD produz relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, bem como executa projetos que contribuam para melhorar essas condições de vida, nos 166 países onde possui representação. É conhecido por elaborar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como por ser o organismo internacional que coordena o trabalho das demais agências, fundos e programas das Nações Unidas – conjuntamente conhecidas como Sistema ONU – nos países onde está presente.

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