Escolha uma Página
EDUARDO SIMÕES
DA REUTERS
O Haiti terá de contar com a ajuda da ONU (Organização das Nações Unidas) ainda “por um bom tempo” e a redução do efetivo militar da entidade dependerá da evolução institucional no país, inclusive com as eleições presidencial e legislativa marcadas para o fim de novembro deste ano, segundo o comandante militar da missão de paz da ONU.
O general Luiz Guilherme Paul Cruz, que comanda os cerca de 7.800 militares –a maioria brasileiros–, que compõem as tropas da Minustah (sigla para Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), disse em entrevista nesta quinta-feira que os haitianos retornam pouco a pouco à normalidade, cerca de seis meses após um devastador terremoto que matou cerca de 225 mil pessoas e deixou 1,5 milhão desabrigadas.
“Eu vejo sim esse desenvolvimento em todo o país, vejo uma melhoria a toda a hora, mas o país vem de uma base bastante frágil. Em função disso, a missão das Nações Unidas, vai permanecer aqui por um bom tempo”, disse Paul Cruz, que assumiu o comando militar da Minustah em abril, mas já havia comandado o batalhão brasileiro no Haiti.
“Eu não estou falando sobre a questão de segurança e estabilidade, porque assim que forem atingidos novos patamares, o perfil da missão vai sendo alterado”, acrescentou.
De acordo com o general, assim que a Polícia Nacional do Haiti atingir um efetivo de 14 mil homens, ela passará a ter controle da segurança do país. “Eles estão com por volta de 9 mil, caíram um pouquinho agora, mas estão nessa fase”, contou.
“Aí, tudo depende do entendimento político… da liderança do país poder conduzir o país dentro do jogo democrático”, avaliou para, em seguida, acrescentar que uma eventual redução no número de militares boinas azuis no país “não tem data”.
SEGURANÇA
Além da devastação, que destruiu até o palácio presidencial, os tremores que atingiram o país em janeiro também trouxeram preocupações de segurança. Líderes de gangues armadas que estavam presos fugiram da principal prisão de Porto Príncipe, destruída pelo terremoto, e os relatos de violência nos acampamentos improvisados para os refugiados aumentaram.
“Hoje nós estamos numa situação de estabilidade que permite o desencadeamento dos trabalhos da reconstrução do Haiti e do governo do Haiti, e o desencadeamento do processo eleitoral, que vai ocorrer no final do ano para a passagem do governo no próximo ano”, disse.
“Há criminalidade e questões de segurança pública, como em qualquer grande cidade do mundo. Mas não há nenhum grupo capaz de desafiar as forças existentes.”
O comandante da Minustah acrescentou que, dos cerca de 4 mil detentos que teriam fugido da Prisão Nacional, mais de mil já foram presos. Isso graças à realização frequente de operações para recapturar os fugitivos e às denúncias da população.
Existem preocupações, no entanto, com a chegada da temporada de furacões do Atlântico, que pode agravar ainda mais a já precária situação dos desabrigados e aumentar a devastação, reconheceu o general. O período de furacões iniciou-se em 1o de junho e se estenderá até 30 de novembro.
ATRASO NA AJUDA
País mais pobre das Américas, tomado pela instabilidade política em 2004 que levou à criação da Minustah e abalado nos últimos anos por furacões e pelo terremoto de janeiro, o Haiti é altamente dependente da ajuda internacional.
Mas o ritmo da chegada de ajuda tem desagradado autoridades, e segundo dados do governo haitiano, somente 2 por cento dos 10 bilhões de dólares prometidos pela comunidade internacional ao país após o terremoto de janeiro chegou efetivamente.
Questionado sobre as reclamações no atraso da ajuda internacional, o general evitou polêmicas e preferiu se limitar a comentar as doações realizadas pelo governo brasileiro, que se comprometeu com 375 milhões de reais para o país caribenho, além de ter enviado alimentos e hospitais de campanha após o tremor.
“Toda a ajuda brasileira não se constitui só em dinheiro. O nosso país vai construir uma hidrelétrica aqui para o Haiti, não muito grande, mas a energia aqui é crucial”, disse o general.
O Brasil comanda as tropas da Minustah desde sua instalação em 2004, após uma onda de violência que levou à destituição do então presidente haitiano Jean Bertrand-Aristide.
Skip to content