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 (foto:Alvarélio Korussu – ZH)
A Esquadrilha da Fumaça pretende voltar o quanto antes ao calendário de apresentações. A garantia é do comandante-líder do grupo, tenente-coronel José Aguinaldo de Moura.
— É isso que a população brasileira espera de nós — enfatizou.
O depoimento foi dado um pouco antes de o grupo deixar Lages, às 7h25min de sábado, em direção à Academia da Força Aérea Brasileira (FAB) em Pirassununga (SP), onde fica a sede da Esquadrilha, local do velório do corpo do capitão Anderson Amaro Fernandes, de 33 anos.
O capitão morreu na queda de uma aeronave do grupo às 17h25min de sexta-feira, durante apresentação no Aeroporto Federal de Lages para um público de cerca de 15 mil pessoas. Em um caixão lacrado, um avião levou o corpo de Anderson para Pirassununga, à 1h30min de sábado.
Á tarde, o corpo do piloto foi levado para Fortaleza, no Ceará, terra natal do piloto. O sepultamento ocorreu num cemitério da cidade. Fernandes deixou a mulher e a filha.

Investigação
A queda já começou a ser investigada pela Aeronáutica. Ainda na noite de sexta, chegaram à cidade catarinense, vindos de Brasília, peritos do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), órgão ligado à FAB.
Os primeiros levantamentos foram feitos logo após a tragédia pelos membros da Esquadrilha. Assim que eles deixaram Lages, os peritos do Cenipa, com o auxílio do Exército, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, iniciaram os seus trabalhos.
Eles fizeram medições, coletaram peças, anotaram dados, produziram fotografias e filmagens do local, dos destroços do avião e de detalhes que possam ajudar a apontar as causas do acidente.
 

Conversa por rádio
Como estes aviões não têm caixa preta, será fundamental ouvir os outros seis pilotos que participavam da apresentação para saber se Fernandes fez algum comentário por rádio. Imagens feitas e cedidas por pessoas que acompanhavam o show também serão analisadas.
— As investigações não terão o objetivo de apontar um culpado para a tragédia, mas saber qual foi o problema e trabalhar na sua solução para evitar novos acidentes — explica o major Henrique Rubens Balta de Oliveira, do Cenipa.
Os destroços do avião seriam encaminhados ainda no sábado à base aérea de Florianópolis. O Cenipa tem um prazo de 30 dias para emitir um relatório inicial, mas todo o processo de investigação pode levar até um ano para ser concluído.

Apresentações suspensas
Enquanto isso, a Esquadrilha da Fumaça está com as atividades temporariamente suspensas, segundo o comandante-líder.
Os dois shows que estavam previstos para o fim de semana, nas cidades paranaenses de São José dos Pinhais e Londrina, foram cancelados.
Desde 1982, quando a Esquadrilha passou a utilizar os aviões T-27, o acidente em Lages foi o segundo fatal. Por uma trágica coincidência, o primeiro havia sido também em Santa Catarina, no dia 1º de maio de 1995, em Rio Negrinho, no Planalto Norte, com a morte do capitão Cláudio Gonçalves Gamba, de 31 anos.

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