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“Mãe, não se preocupe, porque eu estou no ar”
Familiares, amigos e companheiros de farda acompanharam em Fortaleza o velório e o sepultamento do capitão aviador Anderson Amaro Fernandes, da Esquadrilha da Fumaça. Ele morreu em acidente na sexta-feira

Larissa Lima
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As acrobacias da Esquadrilha da Fumaça levantam os olhos de multidões por todo o País. Emoção, adrenalina, trilhas de fumaça que se formam da coragem e da técnica de pilotos de elite da Aeronáutica. Maria Júlia Amaro Fernandes, 54, natural de Umirim, a 109 quilômetros de Fortaleza, tinha um filho entre eles. “Ele me dizia: mãe, eu amo aviação. Porque, se um dia acontecer qualquer coisa comigo, eu vou ficar no ar. A senhora não se preocupe, porque eu estou no ar, a senhora não vai poder pegar em mim. Se acostume”, lembra.
Os conselhos eram do capitão-aviador cearense Anderson Amaro Fernandes, morto durante acidente em apresentação na última sexta-feira em Lages, cidade a 200 km de Florianópolis (SC). Ele tinha 33 anos. Na tarde de sábado, os restos mortais do piloto chegaram à Base Aérea de Fortaleza diretamente de Pirassununga (SP), onde ele morava com a mulher e a filha, de quatro anos. O velório foi realizado na sala de embarque da base. De lá, um cortejo seguiu ao Cemitério Parque da Paz para o sepultamento, com honras militares e salva de tiros.
“O sofrimento é muito profundo, a dor é muito grande. Mas eu sei que estou sepultando ele como herói. Ele morreu em pleno exercício da profissão dele, que era a coisa que ele mais gostava. Voar estava no sangue dele”, conta o pai do piloto, Luciano Pinto Fernandes, 58. Ele diz que, no início, ficava apreensivo com os riscos da atividade do filho. Mas, mesmo depois do acidente, o que guarda é o orgulho do aviador e as lembranças de como Anderson viveu com alegria e espontaneidade o sonho de voar. “Demorei um pouco a me acostumar, mas depois eu achava era bonito, eu me orgulhava quando ele estava fazendo aquelas acrobacias. Eu já estava vibrando tanto com aquilo ali que quando ele estava no solo, narrando, eu não gostava. Gostava de quando ele estava no ar”.

E MAIS
– O sanfoneiro Waldonys fez homenagem ao amigo Anderson Amaro Fernandes com sobrevoo ao cemitério Parque da Paz, onde o capitão foi sepultado. Waldonys também é piloto privado e próximo aos integrantes da Esquadrilha da Fumaça, com quem já gravou um videoclipe.
– O capitão Anderson nasceu no município de Crateús, mas foi registrado em Umirim, cidade natal dos pais dele. No entanto, viveu a maior parte da vida em Fortaleza. Ele era o mais velho dos três filhos do casal.
– O capitão Anderson Amaro Fernandes pilotava um Tucano número sete quando colidiu contra o solo durante as festividades dos 69 anos do Aeroclube de Lages (SC).
– Essa não é a primeira vez que pilotos da Esquadrilha da Fumaça morrem em acidentes aéreos em Santa Catarina. O capitão Gonçalves Gamba morreu em 1995, durante apresentação no município de Rio Negrinho, após não ter conseguido fazer uma manobra. Outro acidente fatal ocorreu em 1961, no Centro de Florianópolis. Durante uma solenidade militar, dois aviões bateram no ar e o piloto Durval Pinto teve morte instantânea. 

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