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Isabel Fleck – Correio Braziliense

Apesar de a comitiva sueca, liderada pelo rei Carl XVI Gustaf, ter se apressado em afirmar que a visita do monarca e da rainha Silvia ao Brasil não foi motivada pela concorrência F-X2, ninguém nega que a presença do casal real, que chegou na tarde de ontem a Brasília, pode ser providencial em um momento de decisão. Integram a comitiva o ministro da Defesa, Sten Tolgfors, e o secretário de Comércio Exterior, Gunnar Wieslander — ambos se reuniram, na segunda-feira, com o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim — e o presidente da Saab, Ake Svensson, que estará presente em praticamente todos os compromissos da delegação.
O itinerário do casal real deixa claro que a visita foi adaptada para reforçar as qualidades do Gripen NG, caça que concorre com o norte-americano F-18 Super Hornet e o francês Rafale na concorrência da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, o rei participará de um seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e visitará a sede da Embraer em São José dos Campos.
Em entrevista ao Correio, Svensson afirmou que a comitiva destacará ao governo brasileiro os benefícios de sua proposta — em especial, a grande diferença no preço de aeronaves “tecnicamente compatíveis”. “E essa diferença de preço é ainda maior se considerarmos que o Brasil pretende comprar mais unidades (no futuro)”, afirma o presidente da Saab. Uma delegação de 30 empresários de outras áreas, como tecnologia e transportes, acompanha Carl XVI Gustaf e Silvia.
 
A presença do rei no Brasil, na reta final da concorrência, pode significar uma nova oferta?
Essa visita estava programada há muito tempo, mas eu acho que o fato de ela ocorrer agora mostra que a Suécia e o Brasil têm muitas coisas a fazer juntos. A comitiva confirmará tudo o que já foi proposto e discutirá outras oportunidades de cooperação entre os países, de modo mais amplo. Temos nos concentrado em pensar o que podemos fazer a mais — não só no que concerne aos caças, mas às necessidades das Forças Armadas na Suécia e no Brasil.

O que a Suécia quer ressaltar sobre a proposta já feita?

Já é de conhecimento público que o Gripen NG é a opção mais barata — bem mais barata. Esse cálculo foi feito com base em 36 aeronaves. Mas o governo brasileiro já manifestou, algumas vezes, a intenção de adquirir mais aviões. Essa diferença de preço será ainda maior se considerarmos que o Brasil pretende comprar mais unidades. Isto é, o Gripen se torna ainda mais competitivo, caso o interesse seja comprar mais caças no futuro.

A Aeronáutica apresentou um novo relatório ao ministro Jobim, que traz a proposta francesa como a “mais consistente”. Antes, a preferência da FAB era, aparentemente, pelo Gripen NG. Essa mudança de posição incomodou a Saab?

Não sei se houve mudança. Acredito que o relatório inicial teve por base uma análise muito detalhada e profissional conduzida pela FAB, e o resultado mostrou que o Gripen NG era a melhor opção, tanto no custo operacional quanto no custo de manutenção, e por atender a todos os requisitos.
Acho que este primeiro relatório continua valendo. O que estamos propondo é um verdadeiro programa de transferência de tecnologia, com desenvolvimento e produção conjuntos, compartilhamento de informações e tecnologias. Para mim, é difícil entender como alguém pode estar oferecendo mais do que isso.
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