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Estamos diante de uma flexibilização  de conceitos nunca vista por parte de generais brasileiros. Os estrelados curvam-se ante Lula além do limite imposto pela dignidade, seja ela pessoal ou profissional.
Ricardo Montedo
A Folha de São Paulo de hoje informa que Lula e Jobim escolheram (surpresa!) o caça francês Rafale. Para não ficar tão feio, o  fabricante, Dassault, reduziu de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço total dos 36 caças para a FAB.
Mesmo com a redução, os Rafale têm preço muito superior ao sueco Gripen NG, (US$ 4,5 bi) e  ao F-18 Super Hornet, da Boeing (US$ 5,7 bi).
Além da compra do avião, incluidos armamento e transferência de teconologia,  a manutenção por 30 anos custará a bagatela de US$ 4 bi. A diminuição de preço, está na cara, só foi feita depois que a grande imprensa (começando por Reinaldo Azevedo) denunciou que a Dassault havia oferecido os Rafale a Ìndia por um preço bem menor.
Na prática, a decisão estava tomada desde as comemorações da Independência, quando, ao lado de Sarkozy, Lula anunciou aos quatro ventos a opção pelos caças franceses.
A decisão presidencial evidencia a capacidade cada vez maior dos altos coturnos de engolirem sapos.
A escolha do Rafale pisoteia o relatório técnico apresentado pela FAB, compromete o desempenho da Força nos próximos trinta anos e flerta escandalosamente com um superfaturamento “nunca antes vistos na istória deste paiz”, porém os brigadeiros mantém um silêncio subserviente.
A disciplina intelectual, a capacidade de acatar ordens mesmo discordando delas, é vital para o correto exercício da profissão militar. Porém ela é limitada por parâmetros estabelecidos pelos padrões éticos e morais que regem o exercício da atividade, que devem (e quase sempre o são) ser observados com muito maior seriedade e respeito do que nas carreiras civis.
Sobre a ética militar, o artigo 28 do Estatuto dos Militares preconiza, entre outros quesitos, amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal; exercer, com autoridade, eficiência e probidade, as funções que lhe couberem em decorrência do cargo; 
Pergunto até que ponto a disciplina pode inibir o compromisso com a verdade? 
Como se compatibiliza o exercício do comando com eficiência e probidade com o silêncio ante uma decisão eminentemente leviana, eivada de equívocos e suspeições? 
Estamos diante de uma flexibilização  de conceitos nunca vista por parte de generais brasileiros. Os estrelados curvam-se ante Lula além do limite imposto pela dignidade, seja ela pessoal ou profissional. Tal postura é um mau exemplo devastador sobre as gerações de militares que os sucederão. No momento presente, colherão os louros ilusórios dos elogios e afagos dos governantes da hora. Porém, a História os cobrará pelas consequências nefastas de seu servilismo.
E o Brasil? O Brasil sifu. Mais uma vez.
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