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“A missão brasileira se destaca por fatores como grau de profissionalismo, espírito de solidariedade, capacidade de adaptação, confiança, bom humor, facilidade de entrosamento em ambiente multinacional, boa vontade para resolver problemas e vestir a camisa, horizontalidade – vê o outro como igual – e flexibilidade”
A cordialidade típica do brasileiro, descrita em 1936 por Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”, está se provando eficaz também acima da linha do Equador, no processo de pacificação do Haiti. A maciça presença brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) está fazendo diferença.
É o que garantem militares e civis que já atuaram no país e participaram do 1o Seminário de Operações de Paz, em 16 e 17 de novembro na Escola de Operações de Paz do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. O seminário foi promovido pelo programa Pró-Defesa, uma parceria entre a Marinha do Brasil, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio) e a Universidade de Brasília (UnB).
“O brasileiro é avesso ao formalismo e transita bem entre a inimizade e a amizade. É o próprio ‘homem cordial’”, definiu o Capitão de Mar e Guerra Renato Rangel Ferreira, que comandou tropas de fuzileiros navais no Haiti e explicou algumas estratégias de ação dos fuzileiros navais em operações de paz.
Diversos palestrantes destacaram a cordialidade dos brasileiros como fator fundamental para o sucesso das ações. O embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, e sua esposa, a embaixatriz Roseana Kipman, demonstraram grande entusiasmo.
“Quando o Brasil enviou suas forças de paz ao Haiti em 2004, queria mostrar um novo paradigma em operações de paz, voltado para o desenvolvimento e a reconstrução do país, suas instituições e sociedade democrática. Em cinco anos vemos que isso se materializou. Fizemos diferença no país. A Minustah é reconhecidamente a mais exitosa operação de paz”, afirmou o embaixador. Segundo Kipman, a presença militar brasileira é a que mais chama atenção na pacificação da capital Porto Príncipe, causando admiração e até inveja. “Querem saber qual o segredo para a integração das nossas tropas com as pessoas nas ruas. Não é segredo, é a índole do brasileiro, que não é adquirida em centro de treinamento”, disse, acrescentando que a Minustah é confundida pela população haitiana com o Brasil.
O embaixador destacou a atuação brasileira em áreas como a cooperação técnica e cultural, e não somente no patrulhamento ostensivo e assistência humanitária. “Na área cultural, há aulas de música, dança e capoeira. Na área de cooperação técnica, existem projetos como o de distribuição de água potável”, exemplificou. Kipman contou que as atividades civis são apoiadas pelos militares. “As doações de alimentos e outros itens não chegariam aos locais de destino sem esse apoio”, garantiu.
A embaixatriz Roseana foi ovacionada ao final da sua exposição, na qual mostrou fotos e contou histórias sobre o sofrimento do povo e a ação dos militares brasileiros para amenizá-lo. Regularmente, ela acompanha missões de ajuda humanitária apoiadas por militares. “No Haiti há nove milhões de pessoas na miséria. O país é para gente grande, que tem coragem de olhar para o lado”, descreveu.
Roseana contou que nas missões de entrega de alimentos, só as mulheres podem entrar nas filas, para evitar violência. Ao fim da distribuição, os militares as escoltam de volta para casa. “As Forças Armadas atuam com jeitinho brasileiro e profissionalismo ao mesmo tempo. Os militares se entendem com as crianças em língua de gente, olho no olho. Ficam felizes por fazer algo por alguém. Tratamos como gente e somos tratados como gente”, contou.
Entre as ações de segurança e desenvolvimento efetuadas no país, ela destacou a inauguração da primeira delegacia da mulher, dentro do Forte Naval, e o trabalho de desobstrução de canais para o escoamento da água da chuva. “Este ano não teve enchente por causa do trabalho do ano passado. Fomos em paz e sairemos em paz quando for a hora”, afirmou.
O acadêmico Clóvis Brigagão, da Universidade Cândido Mendes, também valorizou as qualidades culturais dos brasileiros para justificar o sucesso da operação de paz no Haiti. “A missão brasileira se destaca por fatores como grau de profissionalismo, espírito de solidariedade, capacidade de adaptação, confiança, bom humor, facilidade de entrosamento em ambiente multinacional, boa vontade para resolver problemas e vestir a camisa, horizontalidade – vê o outro como igual – e flexibilidade”, listou.Leia mais.
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