Escolha uma Página

Algumas colocações sobre o post “Assembléia Gaúcha discute fechamento de hospitais militares“:

Pelo jeito, os deputados e prefeitos não sabem muito bem do que estão falando. Em suas manifestações, passam a impressão de que pensam estar lidando com hospitais e pacientes convencionais, o que não é o caso.
Um hospital militar tem perfil totalmente diferente dos demais nosocômios, pois atende um público específico, composto por militares da ativa e inativos, seus dependentes e pensionistas, viúvas e filhas dos já falecidos.
Cruz Alta, Uruguaiana e Santo Ângelo, sedes dos hospitais que serão fechados, abrigam unidades militares desde o século dezenove. Isso vale também para as guarnições próximas, que estão na área de cobertura desses hospitais, como Quaraí, Itaqui, São Borja, São Luiz Gonzaga, Ijuí e Passo Fundo, além de municípios menores. 
Essa longa permanência resultou em um elevado número de militares que, ao longo dos anos, passaram para a reserva e continuaram residindo nessas cidades, somando hoje muitos milhares. Some-se a esse universo outros tantos milhares de esposas e filhos, além das pensionistas de militares e teremos um número que chega facilmente a vinte mil pessoas.
VINTE MIL CONTRIBUINTES é bom que se diga. Diferentemente do SUS, o Sistema de Saúde do Exército é mantido em grande parte por seus usuários, que contribuem para o Fundo de Saúde do Exército (FuSEx), compulsoriamente, por toda a vida e ainda indenizam 20% das despesas hospitalares.
Portanto, o Comandante do Exército não está apenas rebaixando a qualidade do atendimento médico de seus comandados, os militares da ativa, aos quais cabe apenas acatar.
Ele está retirando de milhares de militares inativos, cidadãos de bem, que já cumpriram sua obrigação para com o País e o Exército, bem como de suas esposas, viúvas e filhos, o direito a um atendimento hospitalar digno. E isso com uma canetada, dada à distância, nos luxuosos gabinetes do Forte Apache, sem que ao menos um integrante do Alto Comando ou da Diretoria de Saúde comparecesse às guarnições para verificar in-loco a situação.
Surpreende, também, o desconhecimento do representante do SINDISERF/RS, ao citar a “medida drástica do Ministério da Defesa”. A medida é drástica sim, cruel até, eu diria, mas ela é do Comandante do Exército. E é a ele que deve ser imposta sua revogação.
Aliás, analisando o comportamento dos altos coturnos nos últimos anos, durantes os quais foram digeridos indigestos sapos, dá para se prever que, se a pressão vier de cima (Lula, Jobim e Dilma) para baixo, a rosca espana.
Oxalá, os comandantes não inventem justo agora de negar sua biografia recente.

Skip to content