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O papel do Brasil como um poder regional estabilizador e com participação pró-ativa nos conflitos internacionais pode intensificar a cooperação entre a Europa e a América do Sul nos temas de segurança e defesa internacional.
“Nós vemos o papel do Brasil como mediador em conflitos internacionais, um poder regional estabilizador, um país que tem boas relações com os seus vizinhos e, mais recentemente, notou-se que é muito pró-ativo fora da América do Sul e se interessa por temas da política internacional como o Oriente Médio”, afirmou à Agência Lusa o representante da Comissão Europeia no Brasil, Christian Burgsmüller.
A política de segurança e defesa tem um papel importante no cenário global, destacou o chefe do Sector de Política, Economia e Informação da Delegação, à margem do mais importante fórum no continente de promoção do diálogo entre a UE e América do Sul – a 6ª Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Nesse sentido, Burgsmüller afirma que a UE “vê o diálogo com o Brasil muito proveitoso”, destacando como exemplos a visita do presidente de Israel, Shimon Peres, esta semana ao Brasil e a chegada prevista nos próximos dias do seu homólogo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
O bloco europeu já tem uma parceria estratégica com o governo brasileiro há três anos, afirmou.
Em relação a uma cooperação triangular com os países africanos, Burgsmüller declarou que UE, Brasil e União Africana (UA) estiveram “muito perto” de assinar um protocolo de cooperação triangular.
“Este foi um tema importante na cúpula de Estocolmo, temos boas experiências no Haiti com soldados brasileiros e com uma assistência civil da UE. Trabalhamos de mãos dadas”, destacou.
Segundo ele, a cooperação na área da defesa com a UA, é um elemento que envolve outras perspectivas como a econômica, biocombustíveis, saúde e educação.
O treinamento militar é uma das iniciativas que deveria ser ampliada para as polícias africanas, sugeriu Burgsmüller.
“Temos um programa a nascer sobre cooperação de combate ao tráfico de drogas que envolve as polícias. O Brasil já treina polícias africanos e quer ampliar essa cooperação para a rota de cocaína que vem dos países produtores, via Brasil, via África, com o exemplo de Guiné-Bissau, para terminar na Europa”, prosseguiu.
Sem exploração
Por outro lado, o gerente da Divisão de Política de Defesa Nacional do Ministério da Defesa do Brasil, o Capitão-de-Mar-e-Guerra Ricardo Alves de Barros, um dos convidados do seminário internacional, considerou que a cooperação brasileira é vista com “bons olhos” pelos países europeus por não ter antecedentes de exploração colonial do continente.
“As iniciativas triangulares com África estão a dar passos e poderão crescer ao longo do tempo. Essa cooperação já existe, na Guiné-Bissau já se estuda um processo de reestruturação das Forças Armadas, um processo que levará algum tempo”, explicou.
De acordo com o militar, a experiência brasileira de liderança no Haiti foi positiva, pois “tem reforçado a imagem do país e pode ser um exemplo” para atuar em países africanos.
A triangulação, segundo o representante do setor de Política de Defesa Nacional, favorece ainda a divisão de custos entre países no âmbito orçamentário.
“A França já mantém uma escola de operações de paz em África, não faz sentido o Brasil abrir uma outra escola. É mais interessante e mais econômico mandar instrutores brasileiros para lá”, concluiu.
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