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O Exército vai “estourar” as trilhas de entrada de drogas na fronteira entre Brasil e Bolívia, via Corumbá, cidade distante 426 quilômetros de Campo Grande.
A ação faz parte da operação “Cadeado”, que foi deflagrada na noite de ontem na fronteira de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com Bolívia e Paraguai, na tentativa de impedir a entrada de drogas e armas para as facções criminosas que atuam no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro.
A idéia é destruir com retroescavadeiras e até dinamite as trilhas que ligam o território boliviano a Corumbá.
É por ali, segundo a polícia do Rio, que ingressa no Brasil parte das armas usadas por traficantes. Na Bolívia, o foco do tráfico de armas é a região de Puerto Suárez, a 11 quilômetros do marco da fronteira seca em Corumbá.
De lá o Brasil pode ser alcançado com facilidade, por via terrestre e fluvial. O policiamento no lado da Bolívia é inexiste.
No Brasil, é precário. Em Corumbá, os efetivos da PF (Polícia Federal), com 40 policiais, e da Polícia Civil, com 50, são considerados insuficientes pelos próprios delegados que os comandam.
Em área, Corumbá é o maior município sul-matogrossense. São 65.165,8 km2, dois terços desabitados por causa da extensão do Pantanal.
Da operação deflagrada pelo Exército, participam PF, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Receita Federal, polícias Civil e Militar dos dois Estados, Marinha e Ibama.
Na região de Corumbá, o Exército vai atuar com 450 homens, com o apoio de lanchas, para o bloqueio do rio Paraguai e afluentes, ao longo de cerca de 400 km de fronteiras.
Desde 2005, segundo a Folha de São Paulo, o Exército já realizou quatro ações do tipo, sem sucesso.
As quadrilhas continuam a trazer dos países vizinhos armas como metralhadoras, fuzis e pistolas, além de maconha e cocaína, para as facções CV (Comando Vermelho), TC (Terceiro Comando) e ADA (Amigo dos Amigos), no Rio, e PCC (Primeiro Comando da Capital), em São Paulo.
Ao todo, cerca de 1.600 quilômetros de fronteiras serão vigiados em MT e MS. Haverá barreiras simultâneas nas estradas e acessos entre os países. A operação deve durar até a próxima sexta-feira.
A PF, a Polícia Civil e o Exército mantiveram entendimentos prévios sobre a operação com a Polícia Boliviana, em Puerto Suárez.
A intenção era a de que os bolivianos fizessem uma fiscalização mais efetiva ao longo desta semana, o que, até ontem, não estava definido.
O quartel da Polícia Boliviana na cidade é desprovido de equipamentos. Não há sequer um telefone capacitado para ligações internacionais. O único número disponível é o 110, para chamadas de cidadãos na Bolívia que precisem de ajuda.
Para manter contato com o comando de Fronteira Policial da Polícia Boliviana em Puerto Suárez, os policiais brasileiros cederam um celular ao coronel Osvaldo Peláez Ramos. Também não há computadores ligados à internet no quartel.
A 100 metros da sede municipal da Polícia Boliviana, há um cais de madeira de onde zarpam embarcações que seguem para o Brasil, pela laguna Cáceres e pelo canal Tamengo, até chegar ao rio Paraguai.
Não há nenhuma vigilância ou fiscalização sobre o que elas carregam.
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