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Alexandre Oltramari
Comissão de Anistia, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, foi criada há oito anos para tentar reparar os abusos perpetrados durante os 21 anos do regime militar. Desde então, já concedeu cerca de 30 000 indenizações, a um custo que ultrapassa os 4 bilhões de reais. É justo compensar pessoas que perderam o emprego ou tiveram a vida devassada por perseguição política de um estado ditatorial. As concessões sem critério, porém, estão desvirtuando a nobreza do propósito inicial. Na mamata do que está sendo chamado de Bolsa Ditadura, pegaram carona “perseguidos” de todos os tipos. Na semana passada, mais uma figura curiosa embarcou no trem. O economista Vladimir Poleto – aquele que admitiu ter transportado 1,4 milhão de dólares de Cuba, em 2002, para robustecer o cofre da campanha do presidente Lula, e que, em seguida, tentou anistiar a própria confissão alegando estar embriagado – também ganhou direito ao seu quinhão. Ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci, o economista revelou que apanhou o dinheiro clandestino de um funcionário da Embaixada de Cuba em Brasília, acondicionou-o em caixas de uísque e rum e transportou-o num avião Seneca para São Paulo, onde funcionava o comitê financeiro da campanha.
A indenização a Poleto é uma das mais esdrúxulas já concedidas pelo governo. No início do regime militar, o economista tinha 8 anos de idade. No fim, estava com 29. De acordo com a ata do julgamento que lhe concedeu indenização, Poleto sofreu perseguição no período de 7 de dezembro de 1984 a 14 de janeiro de 1985. No calendário do governo, 39 dias de perseguição viraram um ano. Mas que tipo de perseguição, afinal, teria sofrido Poleto? Ele argumentou que foi “obrigado” a pedir demissão do Banco do Brasil no fim de 1986, quando os generais já estavam de pijama havia mais de um ano, por ter liderado uma greve. Queria, por isso, receber uma pensão mensal vitalícia de 2 600 reais. A Comissão de Anistia entendeu que Poleto foi perseguido com base em um documento no qual é apontado como “concitador de movimento subversivo”, mas negou-lhe o plano de aposentadoria. O relator do caso, cujo voto favorável à indenização foi acompanhado pelos de outros dois conselheiros, é Egmar Oliveira. Como Poleto, ele é ex-sindicalista. Como Poleto, ele é amigo do ex-caixa de campanha do PT Delúbio Soares. A indenização concedida ao economista com o dinheiro do contribuinte é de 13 950 reais – longe do que Poleto pretendia, mas suficiente para comprar ao menos 200 garrafas do seu uísque preferido.
VEJA
Comento:
Essa tal Comissão de Anistia é responsável por um dos maiores crimes contra o erário público já cometidos na história “destepaiz”.
Por outro lado, suas atividades tem rendido vasto material para uma análise sociológica do povinho que se abriga sob seu manto. Ressalvados aqueles que, merecidamente, fazem jus à indenizações, que tipo de gente é esse que, sob os mais diversos e estapafúrdios pretextos, busca uma “tetinha” da gorda vaca estatal?
Esta corja de caras-de-pau vai desde nomes ilustres, como Ziraldo, Cony e Jaguar, passando por Lula, até o mateiro que guiava os militares no Araguaia, era “amigo dos homi” e, agora, diz ter sido obrigado.
O que sobressai do trabalho da Comissão, infelizmente, não é a disposição inicial  em reparar financeiramente erros cometidos pelo Estado contra seus cidadãos. 
O que exsurge do lodaçal nojento em que ela se transformou é seu viés ideológico caolho, tão desprezível quanto nefasto que, conforme a matéria, já sangrou do nosso dinheiro a módica quantia de R$ 4.000.000.000,00 (QUATRO BI [BI! BI!BI!]LHÕES DE REAIS).
É lugar comum obrigatório lembrar, novamente, Millôr:
NÃO ERA IDEOLOGIA, ERA INVESTIMENTO!
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